Sindserv diz que operação foi irregular
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domingo, 31 de dezembro de 2000
Ana Paula Nascimento De Londrina 
A presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina (Sindserv), Marlene Valadão Godoy, denunciou ontem que a forma de pagamento aos secretários, ao prefeito Jorge Scaff (PSB) e a comissionados dispensados, na quinta-feira, além de privilegiada, foi irregular.
Segundo ela, a transferência do dinheiro foi feita diretamente pelo superintendente regional do Banestado, José Colette, no gabinete do prefeito. O dinheiro não poderia ser movimentado dessa forma, sem antes passar pelo aval da Tesouraria, reafirmou Marlene.
O montante pago pela prefeitura é de R$ 299.708,71, incluindo as rescisões de contrato de 62 ocupantes de cargos comissionados e dos salários, em detrimento do acerto da maioria.
Na sexta-feira, às 13h20, retiramos um extrato bancário que apresentava mais de R$ 1 milhão, mas parte dessa verba estava vinculada ao Fundef e não poderia ser alterada, acrescentou a dirigente. Na prática, havia disponível uns R$ 800 mil, de onde retiraram o pagamento dos comissionados, ficando cerca de R$ 500 mil para o pagamento dos servidores, explicou Marlene.
A sindicalista destacou que na noite de sexta-feira deve ter entrado na conta de pagamentos o dinheiro arrecadado durante a quinta-feira pela prefeitura. Diante disso e do feriado bancário, apenas na terça-feira pediremos um novo extrato junto à tesouraria da Prefeitura, para saber o que estará em caixa, afirmou.
Os servidores estão organizando um novo protesto. Eles estão com atraso do restante do 13º e do salário de dezembro. Até agora eles receberam 70% do 13º (no total, a prefeitura deve R$ 1.049 milhão). O montante de dezembro alcança quase R$ 10 milhões (excluíndo os pensionistas, aposentados e entidades sociais) e é relativo a 4 mil funcionários.
O protesto deverá acontecer no dia 1º, durante a posse do prefeito eleito Nedson Micheleti (PT), na sede da Câmara, a partir das 18 horas. Vamos levar duas faixas, disse Marlene. Na terça-feira, o sindicato também vai fazer uma denúncia formal junto ao Ministério Público para apurar as irregularidades do processo.
Segundo o chefe de gabinete da prefeitura, João Scaff, o pagamento do 13º dos servidores não foi feito porque eles não concordaram em abrir a tesouraria, na quinta-feira de manhã. O dinheiro estava viabilizado, mas precisávamos ter acesso ao cadastro de nomes dos funcionários, via computador, para viabilizar a transferência. Nesse dia, eles começaram com novas exigências, bloquearam a tesouraria e exigiram até um documento escrito que garantisse o pagamento deles, antes dos comissionados, disse Scaff.


