A presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina (Sindserv), Marlene Valadão Godoy, denunciou ontem que a forma de pagamento aos secretários, ao prefeito Jorge Scaff (PSB) e a comissionados dispensados, na quinta-feira, além de privilegiada, foi irregular.
Segundo ela, a transferência do dinheiro foi feita diretamente pelo superintendente regional do Banestado, José Colette, no gabinete do prefeito. ‘‘O dinheiro não poderia ser movimentado dessa forma, sem antes passar pelo aval da Tesouraria’’, reafirmou Marlene.
O montante pago pela prefeitura é de R$ 299.708,71, incluindo as rescisões de contrato de 62 ocupantes de cargos comissionados e dos salários, em detrimento do acerto da maioria.
‘‘Na sexta-feira, às 13h20, retiramos um extrato bancário que apresentava mais de R$ 1 milhão, mas parte dessa verba estava vinculada ao Fundef e não poderia ser alterada’’, acrescentou a dirigente. ‘‘Na prática, havia disponível uns R$ 800 mil, de onde retiraram o pagamento dos comissionados, ficando cerca de R$ 500 mil para o pagamento dos servidores’’, explicou Marlene.
A sindicalista destacou que na noite de sexta-feira deve ter entrado na conta de pagamentos o dinheiro arrecadado durante a quinta-feira pela prefeitura. ‘‘Diante disso e do feriado bancário, apenas na terça-feira pediremos um novo extrato junto à tesouraria da Prefeitura, para saber o que estará em caixa’’, afirmou.
Os servidores estão organizando um novo protesto. Eles estão com atraso do restante do 13º e do salário de dezembro. Até agora eles receberam 70% do 13º (no total, a prefeitura deve R$ 1.049 milhão). O montante de dezembro alcança quase R$ 10 milhões (excluíndo os pensionistas, aposentados e entidades sociais) e é relativo a 4 mil funcionários.
O protesto deverá acontecer no dia 1º, durante a posse do prefeito eleito Nedson Micheleti (PT), na sede da Câmara, a partir das 18 horas. ‘‘Vamos levar duas faixas’’, disse Marlene. Na terça-feira, o sindicato também vai fazer uma denúncia formal junto ao Ministério Público para apurar as irregularidades do processo.
Segundo o chefe de gabinete da prefeitura, João Scaff, o pagamento do 13º dos servidores não foi feito porque eles não concordaram em abrir a tesouraria, na quinta-feira de manhã. ‘‘O dinheiro estava viabilizado, mas precisávamos ter acesso ao cadastro de nomes dos funcionários, via computador, para viabilizar a transferência. Nesse dia, eles começaram com novas exigências, bloquearam a tesouraria e exigiram até um documento escrito que garantisse o pagamento deles, antes dos comissionados’’, disse Scaff.

mockup