Sindserv antecipa eleições em meio a impasse nas negociações salariais
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terça-feira, 14 de agosto de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Prevista para dezembro deste ano, a eleição no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv) foi antecipada para os dias 10 e 11 do mês que vem. Paralelamente à sucessão da entidade, representantes da comissão permanente de negociação, criada para negociar a reposição dos mais de 30% das perdas salariais, tiveram ontem uma surpresa por parte do Executivo: em entrevista à FOLHA, o secretário municipal de Gestão Pública, Jacks Dias, afirmou que a administração não reconhece a legitimidade do grupo para tocar qualquer negociação.
A resposta do secretário acabou vindo a outra pergunta da reportagem - afinal, membros da comissão permanente afirmaram, ontem, que não obtiveram resposta a um ofício protocolado na Gestão no último dia 1º. Nele, o grupo pedia dados como a evolução dos gastos da Prefeitura com pagamento de pessoal, entre os anos de 2000 e 2006, além do balanço financeiro das fontes de recurso que bancam esse tipo de despesa. A pasta teria 10 dias para se manifestar, prazo que expirou já no último sábado. Hoje, a presidente da comissão, Ivanira Carraro, protocola ofício no gabinete do prefeito Nedson Micheleti (PT) solicitando que ele determine ao secretário o fornecimento das informações.
A composição de funcionários nesses moldes é determinada pelo Estatuto dos Servidores, que prevê participação paritária entre os membros indicados pelo sindixacto e pela Prefeitura. No grupo atual, por exemplo, são sete titulares e três suplentes de cada parte.
Na avaliação do secretário, contudo, a comissão ''não é reconhecida, ainda não se instalou, pois só se instala quando há as duas partes envolvidas''. De acordo com ele, as férias de membros indicados da administração e a suposta necessidade de o Executivo convocar o grupo para o início dos trabalhos seriam os fatores que anulam as ações de julho até agora.
''Uma reunião chamada pelo sindicato não pode ser considerada uma comissão; foi uma decisão unilateral da entidade, nós nunca participamos desses eventos'', disse. Jacks também refutou a hipótese de o grupo ter validade a partir de uma portaria da própria Gestão instituindo os membros. O documento - portaria 722 -, de 8 de junho passado, estabelecia os nomes e, a partir dali, o prazo de um mês para início das atividades. ''Alguns dos nossos estavam de férias; esta semana me reúno com eles e, talvez na semnaa que vem, convocamos a comissão para início dos trabalhos'', encerrou.
Para a presidente da comissão permanente, ou o grupo iniciava os trabalhos, ou o prazo expiraria. ''Há um decreto municipal (de maio passado) e uma portaria nos dando prazo para criar um regulamento. Se não concordaram, por que não se manifestaram antes? Afinal, quem cala, consente'', refutou Ivanira. ''Além do mais, que o secretário avisasse o prefeito, que disse (em matéria publicada no dia seguinte, na FOLHA) que 'a comissão está no caminho certo', e que os dados seriam fornecidos'', lembrou.


