Síndrome de vice assombra Serra
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sexta-feira, 17 de maio de 2002
Das agências 
São Paulo - O deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) não será mais o vice na chapa do candidato do PSDB à Presidência, José Serra. Depois das denúncias publicadas ontem pela revista IstoÉ, segundo a qual o deputado teria mais de US$ 15 milhões em contas secretas no Exterior, a direção do PMDB já descartou a candidatura de Henrique Alves. Se for isso mesmo, ele não tem mais condições nem de assumir uma pré-candidatura, afirmou o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP). A não ser que ele apresente uma explicação definitiva, vamos partir para outro nome.
Com a provável saída de Henrique Alves, crescem mais uma vez as chances do senador Pedro Simon (RS) e da deputada Rita Camata (ES) para assumir o cargo. Também estão cotados o senador Ramez Tebet (MS) e o ex-prefeito de Joinville (SC), Luiz Henrique. À esta altura, a questão moral deve prevalecer sobre a questão regional, afirmou Temer. Ainda segundo o presidente do PMDB, será muito difícil encontrar outro nome do Nordeste. Tentamos o Jarbas (Vasconcellos, governador de Pernambuco) e o Henrique. Agora, a tendência é de que o nome seja de outra região.
A matéria da revista IstoÉ revela que Alves teria movimentado, em contas de três paraísos fiscais, valores superiores aos rendimentos declarados à Receita Federal. Segundo a reportagem, o deputado declarou, desde 1997, possuir rendimentos anuais de R$ 240 mil (R$ 20 mil por mês), mas documentos sobre sua movimentação financeira dão conta de que ele teria US$ 15 milhões no exterior.
Os documentos estariam anexados ao processo de separação litigiosa entre Alves e sua ex-mulher, Mônica Infante de Azambuja Alves. Durante o litígio, Mônica teria entregue a seus advogados extratos bancários, contas telefônicas, comprovantes de despesas de cartão de crédito e bilhetes escritos pelo deputado revelando a existência de contas em Nassau (Bahamas), Ilhas Jersey (canal da Mancha) e Genebra (Suíça). Essas informações não constam nas últimas quatro declarações de renda do deputado, segundo a revista.
De acordo com a IstoÉ, Alves teve impressionante movimentação na conta 245 3333 HM, no banco UBP de Jersey, usada para quitar despesas de seu cartão de crédito American Express, emitido no exterior e sem limite de gasto.
Os advogados de Mônica queriam um aumento em sua pensão, a partir do patrimônio extra-oficial de Alves. Durante a separação, os advogados conseguiram quebrar o sigilo bancário, fiscal e de três cartões de crédito em nome do deputado.
Os advogados do deputado federal negaram todas as acusações. O presidente nacional do PSDB, deputado José Aníbal, assegurou que as acusações contra Henrique Eduardo não afetam a aliança PSDB-PMDB nem a candidatura do tucano à sucessão presidencial. Não tem nada a ver nem com o Serra nem com a coligação. Aníbal acrescentou que não vê motivos para atraso no anúncio do vice de Serra, marcado para a próxima semana.


