'Síndrome da inutilidade' atinge vários deputados
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de junho de 2002
Agência Estado 
O deputado federal Rubens Furlan (PPS), o quinto mais votado do Brasil nas eleições de 1998, prepara-se para abandonar o Congresso - com alívio e não quer voltar para lá nunca mais. Desencantado com o Parlamento, Furlan, de 49 anos, não pretende se candidatar à reeleição. Os deputados federais vivem a síndrome da inutilidade, lamenta. Fiquei muito frustrado, gostaria de ter sido mais eficiente. Para o deputado, que já foi vereador, deputado estadual, e duas vezes prefeito de Barueri, é muito difícil fazer um trabalho útil no Congresso. Só aprovam os projetos que o governo quer.
Agência Estado - Por que o sr. não vai se candidatar à reeleição?
Rubens Furlan - Vou ser bem franco, mesmo que meus colegas fiquem magoados comigo. Nosso parlamento é armado de uma forma que os parlamentares não têm a função que gostariam de ter. Os deputados vivem a síndrome da inutilidade. O colégio de líderes determina tudo e é muito difícil conseguir fazer alguma coisa. Acabo indo para Brasília só para pôr a presença e votar com o partido. Isso não interessa para mim, quero ser útil para o Brasil. Não consigo aprovar nada.
AE - O que o sr. esperava desse primeiro mandato?
Furlan - Tinha uma idéia muito diferente, fiquei muito frustrado. Gostaria de ter sido mais eficiente, acho que só nas comissões a gente consegue fazer alguma coisa.
AE - Valeu a pena?
Furlan - Em outros cargos consegui fazer muito mais coisa, não gosto de me sentir inútil. Agora, vou cuidar dos meus negócios (galpões industriais).


