Sindiserv faz manifestação no Centro
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sábado, 19 de março de 2005
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Os auxiliares de enfermagem das Unidades Básicas de Saúde de Londrina foram o responsáveis pela manifestação da greve dos servidores da prefeitura, ontem de manhã, no Calçadão, área central da cidade. Quatro equipes atenderam a população que passava pelo local verificando a pressão arterial e esclarecendo dúvidas relativas à saude.
A dirigente sindical Davina de Jesus Soares, que coordenava o trabalho, disse que o grupo permaneceria no calçadão até o meio-dia e estimava o atendimento a pelo menos 300 pessoas. Paralelo a isso, outros servidores distribuíam material informativo sobre as razões do movimento grevista. Além da panfletagem, seis carros de som circularam pelos bairros da cidade e dos distritos rurais, também com mensagens explicativas.
A população gostou do atendimento, mas as opiniões sobre a greve dos servidores divergiam. A dona-de-casa Idalina Rabelo Martins, 53 anos, que sofre de hipertensão arterial, não apoia o movimento. ''Quem sofre são pessoas como eu, que dependem dos postos de saúde''. Há duas semanas, afirma, não consegue remédios e nem mesmo pôde verificar a pressão. ''O prefeito (Nedson Micheleti - PT) também está muito errado. Ele foi eleito pelo povo que confiava nele'', rebateu. Já o mecânico Jesuíno Guimarães Soares, 65, entende que o movimento é justo. ''É preciso lutar por melhores salários'', resumiu.
O presidente do sindicato, Marcelo Urbaneja, que acompanhava o trabalho do pessoal da saúde, afirmou que a dívida do município com os servidores ultrapassa R$ 50 milhões. ''O prefeito mente quando diz que a casa está em ordem. A dívida com os servidores é grande e pode inviabilizar qualquer governo''. Pelos cálculos do sindicalista, R$ 40 milhões seriam relativos ao não pagamento dos 21% de reposições salariais, R$ 10 milhões do Plano de Cargos e Salários, e R$ 4,5 milhões de licenças-prêmio.
O secretário de Fazenda, Wilson Sella, um dos negociadores da prefeitura, considerou ''irresponsável'' a afirmação do presidente do Sindserv. ''Ele leva a categoria a erros nos cálculos das perdas salariais'', acusou. Segundo Sella, nos últimos quatro anos o município teria concedido mais de 30% de reajuste, incluindo na soma os abonos. O secretário destaca que, pelas perdas inflacionárias registradas no mesmo período, o índice de defasagem salarial seria de pouco mais de 5%.
Sella destacou a proposta da formação de um grupo de trabalho de servidores para ''vasculhar'' a evolução da receita e das contas bancárias do município. A comissão, para o secretário, poderia atestar que não há a possiblidade da concessão de reajustes. A proposta, apesar de recusada pelo sindicato na reunião de anteontem, continua na pauta de negociações da prefeitura.


