Sindiserv contrata seguranças; prefeitura é acusada de coação
O dia de paralisação dos servidores municipais foi marcado por tumulto e troca de acusações entre o Sindserv e as Secretarias de Gestão Pública, Educação e Saúde. Pelo menos 62 escolas da rede municipal não funcionaram e praticamente todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) prestaram somente atendimento emergencial. O Sindserv, que teria contratado seguranças para impedir que os servidores assumissem os postos de trabalho, acusou a administração municipal de coagir os funcionários a não aderir à paralisação.
Nos postos de saúde, o Sindserv manteve somente equipes de plantão para atendimento emergencial. Mas algumas UBSs não funcionaram. Nos pronto atendimentos e na Vila da Saúde, poucas pessoas procuraram os serviços. A dona de casa Edna Santana havia levado a filha de 11 anos ao Pronto Atendimento Infantil (PAI) para exames de urina. ''É difícil vir do Novo Perobal (na Zona Sul) até aqui e não ser atendida. Mas acho que a paralisação é justa. Se melhora para eles, melhora para nós'', afirmou.
O secretário de Saúde, Sílvio Fernandes, afirmou à reportagem da Folha que recebeu ligações de funcionários de postos que não conseguiram entrar nas unidades durante toda a manhã. A denúncia era de que o Sindserv teria contratado seguranças para impedir o acesso dos servidores aos postos. A presença de seguranças foi confirmada pela reportagem no PAI e na Vila da Saúde. ''Fui contratado pelo Sindserv e recebi orientação para não deixar ninguém entrar, mas sem usar força, só na conversa'', contou o segurança Fábio Júnior Duarte, que receberia R$ 20 por hora pelo serviço. ''Um deles tentou me impedir de entrar na Vila (da Saúde)'', confirmou a gerente de saúde mental Mirian Soares.
Urbaneja afirmou desconhecer tal situação. ''Provavelmente são conhecidos dos sindicalizados que estão ajudando na mobilização. Mas vamos averiguar'', explicou-se. ''Não duvido que seja gente 'plantada' pela prefeitura para desmoralizar nosso movimento. Por sinal, sabemos que houve coação para que os funcionários não participassem da assembléia hoje. Felizmente tudo correu bem'', disse.
Jacks Dias rebateu dizendo que não houve coação entre as secretarias, e sim conversas para orientar os servidores sobre o andamento das negociações. ''O sindicato nos procura para conversar mas não passa o resultado das conversas para os funcionários. Sem informação, eles podem ser facilmente influenciados e o que estamos fazendo é usar o direito de conversar com todos'', defendeu-se. (A.M.)





