O Sindijus, sindicato dos servidores públicos do Poder Judiciário, decidiu radicalizar na briga com o presidente do Tribunal de Justiça (TJ), desembargador Sydney Zappa, pelo reajuste salarial da categoria. Ontem à tarde, dois servidores entraram em greve de fome. O protesto coincide com o fim do recesso e volta das atividades do Judiciário no Paraná.
A decisão foi tomada depois de uma assembléia geral, pela manhã, que durou cerca de duas horas. O oficial de Justiça David Machado e o agente de serviços gerais Luiz Gonzaga Soares do Rêgo deverão permanecer sem comer até sexta-feira, na capela do TJ, em Curitiba, quando o ato de protesto será rediscutido. O clima na noite de ontem no TJ era tenso. Os servidores temiam que, depois do expediente, fossem retirados à força da capela do Tribunal pela Polícia Militar, o que não ocorreu até as 20 horas.
Os servidores do Judiciário decidiram ainda em assembléia que seguirão para Brasília, na semana que vem, para apresentarem denúncia contra o TJ do Paraná junto ao Ministério Público Federal. Eles alegam que o Judiciário não cumpriu a sentença que manda reajustar os salários da categoria.
As divergências entre o TJ e os servidores vêm desde de 1992. Onze despachos a favor dos servidores já foram concedidos até agora e lhes dão direito de reposição das perdas salariais de 53,06%. No início do ano, a ação foi para a 3ª Vara da Fazenda Pública, que confirmou o ganho de causa.
O desembargador Octávio Valeixo mandou um ofício para o comando do TJ determinando o cumprimento do despacho. O pedido não foi atendido e os servidores iniciaram uma greve geral no dia 3 de abril, suspensa semanas depois.
Em maio, o TJ resolveu fazer negociações individuais com os funcionários, sem a interferência do sindicato. Foi feito acordo de reposição de 30,74% das perdas com cerca de 1,5 mil servidores. O Sindijus tenta, desde então, forçar a extensão do acordo para todos os 5,2 mil funcionários.
No dia 14 de junho, o sindicato obteve liminar garantindo o reajuste para toda a categoria. O Estado pediu a suspensão dos efeitos da decisão por 45 dias. O TJ não quis se pronunciar ontem sobre a greve de fome dos servidores.

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