Curitiba - Ontem foi a vez do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Paraná (Sindijus) anunciar que entrou com um mandado de segurança no Tribunal de Justiça (TJ), pedindo o sigilo do contracheque dos trabalhadores do tribunal. O oficial de Justiça David Machado, diretor de Imprensa e Divulgação do sindicato, confirmou à reportagem que a medida foi tomada após o sucesso de ação semelhante movida pela Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), como a FOLHA mostrou ontem.
Durante a semana, o desembargador Campos Marques decidiu liminarmente pela manutenção do sigilo, concordando com a Ampar em resguardar os magistrados, apesar de contrariar o CNJ. ''Nós apoiamos o Conselho Nacional de Justiça na maioria das suas decisões, mas neste caso houve ingerência. A medida não foi bem analisada, pois coloca a vida das pessoas em perigo'', explica Machado.
Ao protocolar a nova medida judicial, o Sindijus pediu que ela fosse distribuída ao mesmo desembargador que se demonstrou favorável aos argumentos da Amapar. ''Ele já conhece a matéria'', justificou o oficial de Justiça. Machado repete o argumento utilizado por todos os tribunais resistentes País afora, de que não são contra a publicidade dos salários, mas sim da forma individualizada. ''Pode publicar a matrícula, o cargo e o salário, não tem problema.''
Cabe à Advocacia Geral da União (AGU) recorrer da liminar concedida no TJ do Paraná, como já fez em outros estados. Na mesma semana em que o desembargador deu o parecer favorável ao sigilo, a AGU conseguiu suspender, no Supremo Tribunal Federal (STF), decisão do Tribunal Regional Federal da 2 Região (TRF2) que impedia a divulgação dos salários dos membros filiados à Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj). Na peça, a AGU alega que a decisão do tribunal violou a competência constitucional do STF para rever atos do CNJ, uma vez que ele é o responsável pelo controle administrativo e financeiro de todos os órgãos do Judiciário.

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