Brasília - O número de manifestações de rua contra a corrupção vai aumentar com o aprofundamento da crise política no país, segundo seus principais organizadores, os sindicatos e partidos considerados à esquerda do PT. Mas, por enquanto, os protestos vão se limitar a cobrar a apuração das denúncias e mudanças na política econômica ninguém fala em impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A CUT (Central Única dos Trabalhadores), cujo presidente Luiz Marinho assumiu a pasta do Trabalho recentemente, tem a preocupação até de blindar o presidente. O mote das manifestações articuladas pela central sindical é ''contra a corrupção e por mudanças na política econômica'', com a ressalva: ''contra a desestabilização política do governo''.
Na próxima segunda-feira estão previstas manifestações da CUT no Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e São Luís. No dia 27, será em Florianópolis. A Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), que reúne sindicatos dissidentes da CUT e é aliada do PSTU, convocou os filiados para uma marcha no dia 17 de agosto, em Brasília, para pedir ''investigação rigorosa'' das denúncias. Segundo José Maria de Almeida, o Zé Maria, da coordenação da Conlutas, não será pedido o impeachment de Lula, mas porque ainda não existem provas. ''Mas não vamos aceitar que não surjam provas por falta de investigação'', disse Zé Maria.
Partidos de esquerda, sindicatos de servidores públicos e estudantes fizeram ontem no centro de Maceió (AL) uma manifestação contra a corrupção. Segundo Mário Agra, presidente do diretório do PSOL em Alagoas, alguns oradores associaram o atual momento político à crise do governo Collor, que iniciou carreira política no Estado, e à série de protestos populares que motivou a renúncia do então governador do Estado Divaldo Suruagy (PMDB), em 1997. ''(A mobilização) ainda está pequena, mas sabemos que é assim que começa. Temos experiência em atos de combate à corrupção'', disse Agra.
Na avaliação da Polícia Militar, cerca de 600 pessoas estiveram presentes no ato. Os organizadores avaliaram que a participação foi bem menor: cerca de cem pessoas.

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