São Paulo - A CUT e a Força Sindical, as duas maiores centrais sindicais do País, vão insistir na elevação do salário mínimo de R$ 300 para R$ 400. Pelo Orçamento enviado ao Congresso, o mínimo subiria para R$ 321. No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer aumentar o mínimo para R$ 350, segundo reportagem publicada ontem pela ''Folha de S.Paulo''. O novo valor seria oficializado numa reunião com as centrais sindicais, marcada para o próximo dia 20.
O presidente da CUT, João Felício, disse que não foi informado sobre o novo valor. ''Até onde sabíamos, se falava num salário mínimo de R$ 340. O valor de R$ 350 é novidade para nós (sindicalistas)'', disse.
Apesar da surpresa, Felício afirmou que a CUT manterá a reivindicação pelo mínimo de R$ 400. ''A CUT reconhece que o mínimo de R$ 350 representa um aumento real de 11%. Mas não abriremos mão do aumento para R$ 400.''
O presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, foi mais duro em sua análise sobre a proposta do governo. ''A intenção do governo Lula de aumentar o salário mínimo para R$ 350,00 é uma humilhação e frustra as expectativas dos trabalhadores. O valor mostra com clareza a mesmice conformista deste governo que quer oferecer migalhas do orçamento ao aumentar o salário mínimo'', disse ele.
As centrais sindicais se reunirão no dia 20 com o presidente Lula para fechar o valor do salário mínimo para 2006. O relator do Orçamento, deputado federal Carlito Merss (PT-SC), afirma que um reajuste do salário mínimo para R$ 350 representará um gasto adicional de R$ 4,6 bilhões para o governo no ano que vem.
A reportagem procurou o Ministério do Trabalho para que comentasse a elevação do mínimo para R$ 350, mas não obteve resposta até o final da tarde.
Tabela de IR - Na pauta do encontro com as centrais sindicais também está a discussão sobre a correção da tabela do Imposto de Renda. Pelos cálculos do relator do Orçamento, uma correção da tabela do Imposto de Renda em 10% implicará uma renúncia fiscal de R$ 1,3 bilhão.
Para integrantes a equipe econômica, a elevação do mínimo para R$ 350 reduzirá a margem de manobra do Orçamento para corrigir a tabela de IR. O presidente da CUT diz que a elevação do salário mínimo é mais importante que a correção da tabela de IR. ''Sabemos que o salário mínimo tem um efeito de distribuição de renda superior à correção da tabela de IR'', afirmou Felício.
Além disso, segundo ele, estudo do Dieese mostra que os pisos salariais de outras categorias profissionais é definido com base no salário mínimo. Entre as propostas da CUT para elevação do salário mínimo está a taxação das grandes fortunas. A idéia é cobrar 1,5% sobre o patrimônio superior a R$ 2,4 milhões. ''Essa cobrança aconteceria apenas uma única vez na vida. Para quem é rico, essa cobrança não pesaria nada'', afirmou Felício.
Segundo ele, a implantação dessa cobrança permitira a criação de um fundo que garantiria a concessão de um aumento real do salário mínimo de 9% por sete anos.

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