Brasília - O governo será pressionado pelas centrais sindicais e pela base parlamentar no Congresso para dar um reajuste significativo para o salário mínimo em 2005. A bancada do PT no Senado decidiu ontem defender essa posição e os deputados do partido estão inclinados na mesma direção. Além disso, o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, aconselhou a administração federal a reajustar o valor do mínimo para R$ 320, caso deseje ganhar as próximas eleições.
''Eles vão precisar de votos em 2006. Eles querem reeleger Lula e têm de saber que, se não fizerem essas coisas, vão perder voto'', disse Marinho, ao observar que o Poder Executivo não pode atender apenas às reivindicações da elite. ''Não adianta falar só em superávit e esquecer que, lá embaixo, tem uma população carente cobrando ações'', afirmou.
Os senadores petistas avaliam que, depois de um aumento baixo para o mínimo, ocorrido este ano, chegou o momento de o Executivo aceitar dar uma compensação para esse salário. ''Queremos algo entre 300 e 320 reais, dependendo da data em que o novo valor passe a vigorar'', afirmou o senador Flávio Arns (PT-RS).
O presidente nacional da CUT reuniu-se também com os líderes da base aliada na Câmara para alertar o Palácio do Planalto da necessidade de dar aumentos reais ao mínimo e corrigir a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).
A proposta da CUT é chegar a um valor do mínimo de R$ 1.500,00 pelos cálculos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em 20 anos. Para isso, segundo Marinho, será necessário uma política de recuperação que dê ao mínimo mais do que a variação do Produto Interno Bruto (PIB). ''É necessário um adicional além da variação do PIB. Vincular, simplesmemte, é manter a condição de desigualdade no País'', afirmou.
A CUT reivindica ainda a correção da tabela do IR em 63%, mas aceita discutir o índice. Segundo o líder do PSB na Câmara, Renato Casagrande (ES), um dos participantes da reunião com Marinho, a CUT quer, pelo menos, a correção da tabela (leia mais na Folha Economia) em 17%, referentes às perdas desde o início da gestão Lula. ''Ao todo, eles pedem 63% de correção, dos quais 39% de perdas foram no governo de Fernando Henrique Cardoso e 17% no governo Lula'', afirmou Casagrande.
Ainda segundo o ele, os aliados pretendem marcar uma reunião ainda nesta semana com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para discutir as reivindicações da central. ''Não queremos entrar na discussão do valor do salário mínimo para o ano que vem, mas a nossa preocupação é discutir uma política permanente de recuperação do mínimo'', disse. (Colaborou Denise MadueÀo)

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