Sindicatos dizem que plano salarial da PRprev é ''irreal''
Leandro Donatti
De Curitiba
Os sindicatos que representam os servidores públicos do Paraná distribuíram nota oficial ontem classificando de irreal o plano de cargos e salários que será analisado na segunda-feira em Curitiba pelo Conselho Administrativo da ParanáPrevidência e que vai remunerar a diretoria da paraestatal. A Folha, na edição de ontem, adiantou o teor do plano. Pela proposta, feita com base em pesquisa de mercado realizada por uma empresa de consultoria, o diretor-presidente perceberá R$ 11,7 mil; os diretores, R$ 9,4 mil; e os assessores, R$ 6,1 mil.
Frente a esta situação, os representantes dos servidores decidiram defender que o plano deve ser compatível com a realidade de salários do serviço público estadual. É inadmissível que contribuam com seus atuais defasados salários para o privilégio de poucos que gerenciarão suas contribuições mensais, destinadas a garantir aposentadoria e pensão futuras, diz a nota. Estes valores estão muito além daqueles praticados na administração pública do Paraná, onde cerca de 72 mil servidores recebem R$ 585,00 para menos, por mês, diz outro trecho da nota.
Os sindicatos revelaram mais detalhes do plano de cargos e salários da cúpula da ParanáPrevidência. A proposta, que para valer depende do aval da maioria dos conselheiros, prevê benefícios como vale-refeição, assistência médica e odontológica, auxílio-educação, auxílio-creche, e direito a telefone celular com pagamento de despesas. Os servidores, cuja maioria está há cinco anos sem reposição, não possuem nenhum destes benefícios, contra-argumentam os servidores, que na segunda, depois da reunião do Conselho Administrativo, promovem encontro, no plenarinho da Assembléia.
Na reunião de segunda, os três representantes do funcionalismo no Conselho votam contra o plano sugerido. O secretário do Planejamento e diretor-presidente da ParanáPrevidência, Miguel Salomão, não gostou da repercussão do plano. Voltou a reinterar que a decisão caberá ao Conselho e que ele nem conhece o teor da proposta salarial. Salomão disse que comanda a paraestatal sem receber um centavo há sete meses. Recebe o salário de cerca de R$ 6 mil brutos R$ 4,8 mil líquidos , apenas como secretário, e não de R$ 8 mil como divulgou a Folha ontem.
Além do plano salarial, entra na pauta da reunião da ParanáPrevidência a análise do balancete da paraestatal. Segundo cálculos das entidades sindicais, o governo deve R$ 7 milhões ao fundo, referentes ao seu quinhão de contribuição. Os servidores alegam que a diretoria deveria ter tomado precauções em até 10 dias depois de verificado o atraso. Dentre as quais, o arresto e sequestro de bens como garantia de recebimento do débito previdenciário. Qual a garantia de que a empresa não vai para o espaço como o IPE?, questionou a diretora do SindSaúde, Dôri Tucunduva, líder sindical que também ajudou a engrossar a nota de protesto.





