Dirigentes dos sindicatos de funcionários estaduais de educação e saúde estão denunciando a utilização da máquina do governo para a convocação dos mais de 1,5 mil servidores com cargos comissionados para trabalharem em Curitiba na campanha pela reeleição de Cassio Taniguchi (PFL). Miguel Baez, secretário de imprensa da APP Sindicato, dos professores, afirmou ontem que a entidade vai oficializar uma denúncia na Justiça Eleitoral. Se eles quisessem trabalhar por livre e espontânea vontade, não haveria qualquer problema ou impedimento’’, reclamou Baez. ‘‘Só não podemos nos calar diante desse clima de terror, com ameaças de demissão e coerção por parte dos chefes imediatos dessas pessoas.’’
O sindicalista disse que a convocação começou após o primeiro turno, numa reunião dos chefes dos núcleos, em Curitiba. E, depois, no jantar de aniversário da secretária da Educação, Alcyone Saliba.
O governador Jaime Lerner (PFL) considerou as denúncias ‘‘um absurdo’’. ‘‘Nunca fizemos esse tipo de solicitação, muito menos em épocas eleitorais’’, afirmou. De acordo com dirigentes do SindiSaúde, os funcionários do interior receberam, na segunda-feira, um ‘‘recado’’ através da rede de computadores do governo. A mensagem convocava os comissionados para se deslocarem a Curitiba no dia da eleição, dia 29, com transporte e alimentação grátis.
Em Cascavel, a Folha obteve a confirmação de um vereador, que não quis ser identificado. ‘‘Obviamente que os funcionários irão, pois, afinal, ainda falta muito tempo para se encerrar o atual governo, e ninguém quer perder o emprego’’. A mesma fonte revelou que estaria sendo contratado um ônibus para levar o pessoal.
O secretário de imprensa da APP-Sindicato encaminhou à Folha a cópia de um convite para um jantar (que seria realizado ontem à noite numa churrascaria da cidade) do ‘‘Movimento dos Professores Pró-Cassio’’. O convite foi repassado aos professores por fax e, no cabeçalho, aparece a inscrição ‘‘nre area metro sul’’, que indica a procedência da mensagem de um dos núcleos de educação de Curitiba. ‘‘As pessoas que nos fazem as denúncias de uso da máquina não querem se identificar por medo de mais represálias’’, argumenta Baez.
Na região de Londrina, uma fonte da Folha informou que estaria havendo um ‘‘recrutamento’’ informal. Muita gente, segundo a fonte, estaria até antecipando férias ou tirando licença para justificar a presença na capital. No entanto, não há nada que possa comprovar a convocação.
A chefe do Núcleo Regional de Ensino, Maria Genoveva Belucci, e a diretora da 17ª Regional de Saúde, Rosilene Machado, negaram que houve o ‘‘convite’’. ‘‘Até me ligaram para perguntar se iríamos fazer campanha para o Cassio. Não temos conhecimento disso nem recebemos nada’’, garantiu Genoveva. ‘‘No dia 29 vou estar aqui em Londrina e votando para prefeito de Londrina.’’
Rosilene também confirmou que o convite não existiu. ‘‘Na saúde não tem nada. Só se for em outro órgão. No dia 29 vamos estar votando aqui em Londrina se Deus quiser’’, disse. Ela disse ainda que não há cargo comissionado em em férias ou licença. (Colaboraram Luciana Pombo, de Curitiba, Paulo Pegoraro, de Cascavel e Lúcio Horta, de Londrina)

mockup