Sindicatos apresentam denúncia contra Barros na Câmara
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quinta-feira, 04 de maio de 2017
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 

Explodiu na sessão da Câmara Municipal de Londrina (CML) desta quinta-feira (04) a reação de sindicatos e grupos estudantis ao vídeo em que o vereador Filipe Barros (PRB) aparece xingando manifestantes de "vagabundos" e incitando o "bullying aos grevistas", durante a greve geral realizada na última sexta-feira (28). Duas representações foram protocoladas na Casa contra o parlamentar por possível quebra de decoro. O vídeo foi gravado por um assessor do parlamentar e publicado no perfil dele no final de semana e retirado do ar cerca de uma hora depois.
As galerias da CML ficaram lotadas de manifestantes, boa parte deles empunhado carteiras de trabalho como resposta às declarações de Barros. Dezenas de cartazes e faixas contra o vereador foram fixados no local e em vários momentos a sessão foi suspensa pelo presidente Mário Takahashi (PV), em razão do barulho no plenário, com os populares gritando e cobrando providências dos parlamentares. Alguns mais exaltados, dirigiam xingamentos a Barros.
O clima já era tenso antes do início dos trabalhos legislativos, quando Filipe Barros desceu para o plenário. Na pauta oficial, apenas pedidos de informação e nenhum projeto de lei para discussão. Como primeiro secretário, ele permaneceu todo o tempo no seu lugar na Mesa Executiva, de onde ouviu os discursos dos líderes sindicais escalados para usar a tribuna, representando as 33 entidades representativas. O presidente do Sindicato dos Profissionais das Escolas Particulares de Londrina e Norte do Paraná (Sinpro), André Cunha, falou que o vídeo gerou grande indignação. "Não somos vagabundos, somos educadores", citando que estavam nas galerias ex-professores de alguns parlamentares e do próprio Filipe Barros. "Não temos ligação com partidos políticos nem com central sindical e nem dependemos de imposto sindical no nosso sindicato", completou.

O presidente do Sindicato dos Eletricitários do Norte do Paraná (Sindel), Sandro Runkhe, que representava o coletivo sindical de trabalhadores, afirmou que o vereador teve "uma postura grosseira, desrespeitosa e desumana, não aceitaremos mais a intolerância". Durante entrevista coletiva, ele pediu a saída de Barros da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e da representação legislativa no Conselho Universitário (CU) da UEL. "É uma incongruência saber que um vereador que ofende os trabalhadores está ocupando a presidência da Comissão de Direitos Humanos. Precisamos que ele seja excluído dessa Comissão e do Conselho Universitário."
Segundo Runkhe, os demais vereadores devem se posicionar sobre a atitude do colega, embora tenha ocorrido fora do Legislativo. "Não podemos aceitar o argumento de que não se pode agir porque ele estava fora da Câmara. Afinal, todos os vereadores carregam a alma desse Legislativo 24 horas por dia." A Comissão de Ética tem evitado se manifestar alegando que precisa ser acionada.
OUTRO LADO
Diferente da sessão de terça-feira (02), quando ele discursou em plenário para se retratar da "forma" e do "tom" usados no vídeo, desta vez Barros falou apenas aos jornalistas na sala da presidência do Legislativo. "Todas as opiniões devem ser respeitadas, mas também todos esses sindicatos que estiveram aqui na Câmara têm que respeitar a minha opinião, as minhas críticas, que sempre fiz e que vou continuar fazendo", disse ele, reafirmando o seu posicionamento contra os sindicatos.
Ele evitou, porém, confirmar se mantinha a palavra "vagabundos" nas suas críticas. Barros alegou que no dia da greve geral "estava dando voz também aos comerciantes e empresários que foram obrigados a fechar os seus estabelecimentos a força por causa de muitos sindicatos". Sobre as representações protocoladas contra ele na Casa, alegou que não teme a cassação. "Tenho direito de dar todas as minhas opiniões e as pessoas que se sentirem ofendidas tem todo o direito de entrar com alguma representação", completou. Escoltado por assessores, ele encerrou a entrevista repentinamente.
REPRESENTAÇÕES
Estão protocoladas na Câmara duas representações contra Filipe Barros na Câmara. Uma delas, já despachada para a Procuradoria Jurídica na tarde desta quinta-feira, é assinada pelo estudante de direito Pedro Henrique Linares, e a outra pedindo a cassação do mandato foi apresentada pelo coletivo sindical. A assessoria jurídica vai decidir qual será o enquadramento das peças e se atendem os requisitos formais antes de encaminhá-las para a Comissão de Ética ou para a Mesa.
BOCA E JANENE
A Comissão de Ética foi acionada pela presidência para tomar providências sobre a confusão entre os vereadores Boca Aberta (PR) e Jamil Janene (PP), durante reunião da Comissão de Justiça (CJ), quarta-feira (03). Janene, que é membro da Comissão e corregedor, se afastou da função por ser interessado na investigação. "Eu estava trabalhando naquele momento, fui agredido com palavras e só não fui agredido porque os seguranças da Câmara conseguiram contornar a situação", disse Janene. Eduardo Tominaga (DEM) vai ocupar a vaga.
Boca Aberta negou que fosse agredir o pepista. "Não fui para agredi-lo, eu não vou relar meu dedo em nenhum fio de cabelo de ninguém aqui", alegou.
Câmara pode abrir CP contra Boca Aberta
Menos de um mês após receber uma censura por escrito na Câmara Municipal de Londrina (CML), por "excessos" na sua incursão na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim do Sol, na chamada "blitz da saúde", o vereador Boca Aberta (PR) está no foco de nova denúncia. Desta vez, o caso vai para deliberação do plenário para possível abertura de Comissão Processante (CP) que pode resultar na cassação do mandato parlamentar.
Conforme representação feita pela servidora municipal Regina Maria Amâncio, o vereador teria supostamente se utilizado do cargo para obter "vantagens indevidas", quando publicou no seu perfil no Facebook um vídeo pedindo doações para pagamento de multa eleitoral imposta pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná. No mês de janeiro, Boca Aberta foi condenado a pagar multa de R$ 8 mil por propaganda eleitoral irregular dentro da UPA, no ano passado quando ele ainda concorria a uma vaga na CML. Alegando não ter dinheiro para quitar a multa, ele gravou um depoimento, já empossado vereador, pedindo colaboração financeira para saldar o débito.
Regina pede o enquadramento de Boca Aberta no artigo 9º do Código de Ética e Decoro Parlamentar (CEDP). Com parecer favorável, a Procuradoria Jurídica da Câmara encaminhou a representação para a Mesa, que deverá incluir na pauta da sessão o que deve acontecer provavelmente na semana que vem para que os vereadores decidam se deve ser instalada ou arquivada a CP. "Você tem alguma dúvida do que vai acontecer?", perguntou ironicamente Boca Aberta, durante entrevista coletiva, revelando que o clima na Casa não lhe é favorável.
O vereador afirmou que alcançou cerca de R$ 1,4 mil em doações. "Eu fiz um apelo ao eleitor que confia no meu trabalho, porque eu tomei uma paulada de R$ 8 mil de multa, mas eu não tenho dinheiro para pagar. Eu ganho R$ 13 mil, vivo com R$ 1.320 e o restante eu dou para o Hospital do Câncer." Entretanto, ele afirmou não ter ficado com o dinheiro depois de apresentado recurso. "Fizemos uma enquete no meu Face porque o dinheiro é do povo para ver para quem doar e doamos para a ADA (Associação Defensora de Animais) e para o projeto Vista Bela. Não fiquei com nada."
MAIS UMA
A Procuradoria Jurídica recebeu, ainda, uma representação contra Boca Aberta protocolada pelo vereador de Jataizinho (Região Metropolitana de Londrina), Maurílio Martielho, acusando o londrinense de conduta ofensiva e desrespeitosa em audiência pública realizada na Câmara de Londrina, no mês de março. Segundo a denúncia, Boca Aberta teria afirmado que prefeitos e vereadores da região estariam presentes apenas para "sair na foto", além de ofensa pessoal a Martielho. Boca Aberta tem dez dias para apresentar defesa nesse caso. (E.F.)


