A atual diretoria do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv) apresentou ontem documentos que acusam a ex-presidente da entidade, Marlene Valadão Godói, de efetuar repasse financeiro ao Instituto de Capacitação do Servidor Público Municipal (Incasp) antes mesmo de ele ser criado. Pelos documentos aos quais a Folha teve acesso , o instituto teria recebido pelo menos R$ 15 mil em verbas de janeiro a abril de 2002, mês em que foi fundada a entidade privada e, por ata, sem fins lucrativos. O convênio com o sindicato viria somente em junho daquele ano, com a obrigação de um repasse mensal de R$ 5 mil.
A suspeita foi levantada dois dias depois de o Sindserv protocolar na Justiça uma ação civil de responsabilidade contra Marlene e o Incasp. A petição distribuída anteontem à 8 Vara Cível pede a nulidade do convênio, a devolução de R$ 400 mil corrigidos e a reparação de danos supostamente causados pelo atrelamento do nome do sindicato ao do Incasp. Segundo o atual presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, Marlene teria ''induzido os servidores'' de que o instituto (voltado a capacitação e qualificação profissional) era um braço do sindicato, e não uma entidade privada à parte. ''A eleição das chapas foi em setembro; só em npovembro soubemos disso'', diz Urbaneja, com cópias da cartilha distribuída aos servidores pela chapa de Marlene, em sua gestão, explicando que ''o Sindserv criou o Incasp'', como diz um trecho da página 14.
''A cartilha é só uma das provas escritas que temos, já que há material de campanha assim também. Se nem prestação de contas fizeram, como estabelecia o convênio, não é de estranhar uma atitude dessas'', avaliou o sindicalista, que afirma não ter recebido, nem a auditoria contratada pela gestão passada, as atas que comprovem esse detalhamento dos gastos. ''O auditor que eles contrataram não achou as atas, nem nós; acredito que a auditoria judicial (determinada pela 7 Vara Cível e em andamento desde o fim de 2004) traga ainda mais irregularidades'', considerou.
Na ação civil, o jurídico do Sindserv acusa o repasse anterior à firmação do convênio como uma ''fraude grosseira''. Ontem à noite, Marlene afirmou que atual diretoria estava ''atrasada''. ''O repasse era feito muito antes, eles não sabiam?'', ironizou.
Segundo a ex-sindicalista, os valores não se referiam ao Incasp, e sim a um curso de Normal Superior ofertado pelo próprio Sindserv, antes da criação do instituto. Questionda se o investimento no sindicato não evitaria gastos com a criação de um instituto bancado depois pelo próprio Sindserv, foi enfática: ''Não, senão não poderíamos fazer as parcerias que fizemos depois''. Ela reconhece que o Incasp foi criado para atender, de início, especificamente os servidores municipais e seus filhos. ''Tudo o que arrecadamos é gasto para pagar nossos quatro funcionários e luz e água; não há lucro'', garante, citando como valores ''entre R$ 2 mil e 3 mil'', à época, e ''entre R$ 5 mil e R$ 6 mil'', hoje. Sobre a ação de reparação de danos proposta por Urbaneja, também foi taxativa: ''Os servidores sabiam sim que não era algo do Sindserv, dissemos isso em assembléias às quais eles não foram. A respeito da prestação de contas, estão mentindo. É tudo guerra política, sei disso''.

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