O Sindicato das Empresas de Publicidade Externa do Paraná (Sepex) manifestou interesse em participar das discussões sobre o projeto de despoluição visual lançado pelo prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), e declarou que vai trazer para a cidade a experiência vicenciada em Curitiba. De acordo com o presidente do Sepex, Juracy Favretto, a regulamentação da mídia externa permitiu a redução de 40% na exposição de outdoors e letreiros na capital e eliminou os aspectos mais drásticos da poluição visual. O Sepex é contrário à extinção dos outdoors, como ocorreu em São Paulo, e prega apenas sua regulamentação.
Em Curitiba é autorizada a instalação de outdoors em terrenos baldios em tamanhos proporcionais à extensão frontal das áreas - limitado ao máximo de três outdoors por terreno. Em residências, é permitido outodoor com tamanho máximo de 18m2. Ficou vedada a utilização de outdoors de madeira - são permitidos apenas os de estrutura metálica - e nas áreas históricas o tamanho dos anúncios foi limitado a 18m2. Também foi proibido o uso de ''empenas'' - os anúncios pintados nas laterais de prédios. ''O maior lucro não está na quantidade da redução, mas em arrumar a cidade de forma que as peças não poluam'', afirmou Favretti.
O presidente do Conselho do Meio Ambiente de Londrina (Consemma), Fernando Barros, disse que os outdoors deveriam ser banidos. Para ele, o Conselho vai debater o assunto na próxima semana para oficializar uma posição. ''Eu penso que essa competição sobre quem faz o maior outdoor tem que acabar. Londrina tem paisagens lindas, uma bela arborização e a poluição visual já passou da conta'', disse. ''Acho que a transformação de São Paulo é exemplar.''
Já a Associação dos Profissionais de Propaganda (APP), que representa cerca de três mil trabalhadores do setor, admite a poluição visual em Londrina, mas defende que o debate sobre o projeto seja mais amplo. ''É uma discussão que envolve outros setores da sociedade, pois uma cidade mais limpa e agradável não passa apenas pelo outdoor, mas também pelas agências de propaganda, lojistas, o mercado como um todo - é uma visão mais estratégica'', afirmou a presidente da APP, Cláudia Romariz. Na avaliação dela, ''é preciso criar regras''. ''Até mesmo para que a mensagem publicitária seja melhor percebida''. A empresária comentou que, na próxima segunda, APP, Associação Comercial e Industrial de Londrina e Instituto de Desenvolvimento de Londrina se reúnem com o vice-prefeito, José Joaquim Ribeiro (PSC), a fim de propor alterações ao projeto.
O procurador-geral da Prefeitura de Londrina, Vicente Marques, afirmou que o projeto londrinense deverá ser finalizado no início da próxima semana. Ele não quis adiantar quais situações deverão ser banidas e quais passarão por regulamentação. (Colaborou Janaina Garcia)

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