Sindicância vai investigar serviço da merenda
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sábado, 17 de novembro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A administração prevê nova licitaçãono início do ano letivo de 2008
A diretoria de licitação e contratos da Secretaria de Gestão Pública de Londrina vai encaminhar à Controladoria do Município cópias dos relatórios sobre a qualidade e a quantidade da merenda fornecida às escolas e creches da rede. O órgão vai confrontar esse material com cópias da documentação da SP, sobre o mesmo assunto, a fim de verificar se coincidem os valores do serviço prestado e do que é pago pela Prefeitura. Para tanto, deverá ser aberta uma sindicância - solicitada ontem também pelo prefeito Nedson Micheleti (PT). Paralelamente, a Gestão trabalha sobre um novo edital que tem previsão de ser lançado no início do próximo ano letivo.
As informações sobre a possibilidade de um novo contrato e da análise pedida à Controladoria são da diretora de gestão de licitações e contratos, Maria Aparecida Marques Lima, que divulgou ontem o relatório de refeições servidas e pagas nos meses de maio a agosto deste ano, à SP Alimentos, nos quatro Centros de Atendimento Integrado à Criança (Caics) da cidade. Na ocasião, a diretora ainda refutou denúncia que chegou ao Conselho de Administração Escolar (CAE), levada à Câmara de Vereadores esta semana, conforme a qual a empresa teria recebido no mês de junho por 26 mil refeições ao Caic Zona Oeste, mas oferecido 13 mil pratos.
''Temos o relatório assinado pelo diretor da unidade e pela nutricionista (da SP) atestando que foram 28.942 refeições'', disse. Segundo ela, o levantamento realizado - além da Gestão, encaminhado também à Controladoria, à Educação e ao CAE - apontou que, nas quatro Caics, no período, foram servidas, descontando a Educação de Jovens e Adultos (EJA), 69.721 refeições em maio, 77.120 em junho, 40.511 em julho (mês do recesso escolar) e 92.386 em agosto. ''Por esse estudo, vimos que os valores pagos e o que foi servido coincidem, tanto que os quantitativos estão próximos.''
A diretora explicou que foi só a partir de setembro que a administração passou a exigir relatórios diferenciados - enviados pelos diretores de escolas e pela empresa - para confrontá-los. Foi a partir daí, também, que o contrato com a SP passou a ser fiscalizado por três funcionários, e não mais apenas por Maria Aparecida, que, conforme o próprio CAE dissera, esta semana, era gestora e fiscal do contrato. ''É humanamente impossível a mesma pessoa realizar as duas atividades'', avaliou, na ocasião, a presidente do Conselho, Andreliane Godoy.
Questionada ontem se a fiscalização feita dessa forma poderia ser prejudicial ao andamento do contrato com o fornecedor, Maria Aparecida admitiu que sim. Ela lembrou que a empresa não fornece apenas a merenda de 80 escolas e 11 creches, mas também parte da alimentação de setores da Autarquia Municipal de Saúde (AMS), da Secretaria de Obras e da Maternidade Municipal.
''Concordo que acaba sendo deficiente (a fiscalização), pois, para fiscalizar um contrato desse, com uma única pessoa, indo a locais distantes, não tem como'', comentou. ''Isso até poderia ser feito por amostragem, em algumas unidades, mas é complicado. Então, fomos às que apresentavam maior número de reclamações.''
Indagada se as críticas recebidas à qualidade e quantidade do alimento oferecido aos alunos conferiam, na prática, Maria Aparecida respondeu que, em alguns casos, sim. ''Eu combinava com a nutricionista da Educação, e íamos. Constatamos que no caso de hortifrutis a qualidade nem sempre era a melhor, aí alertávamos a empresa para ficar mais atenta.
''Todas as irregularidades que os diretores nos apontam tentamos resolver o mais rápido possível. Mas eles também são responsáveis pelos relatórios do que é servido - portanto, têm que acompanhar o serviço da SP para saber o que estão assinando'', defendeu.
A FOLHA tentou contato durante toda a tarde com a diretora da regional Sul da SP, Cibele dos Santos, mas nem ela, nem qualquer diretor da empresa foram localizados para comentar o assunto. A assessoria de imprensa da empresa também não localizou os representantes. À FOLHA, na edição de ontem, Cibele explicou que eventuais falhas de execução apontadas pela Prefeitura já foram sanadas.


