Pelo menos quatro obras em andamento no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL) passarão por uma avaliação de custos das respectivas planilhas. Elas foram iniciadas na gestão 2002/2006 - que deixou o comando da instituição em junho passado - e estão no rol de investimentos a serem investigados por uma comissão de sindicância instaurada ontem pelo reitor Wilmar Sachetin Marçal.
Entre as obras que chamaram a atenção da administração da universidade está um banheiro de pouco mais de 37,82 m2, construído ao lado da reitoria ao custo de R$ 61.294 - pouco mais de R$ 1,62 mil o metro quadrado. O valor é quase o dobro da tabela do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon-Norte), por exemplo, que calculou o Custo Unitário Básico (CUB) do metro quadrado construído, em valores de julho deste ano, a R$ 882,09, com utilização de materiais de primeira linha.
De acordo com a portaria que instituiu a comissão de sindicância - composta por cinco membros efetivos e um suplente -, a medida se fez necessária após a última reunião do Conselho Universitário (COU), na quinta-feira passada. Na ocasião, uma servidora que representa os funcionários técnico-administrativos no Conselho relatou ''estranhamento'' em relação aos custos da obra do banheiro, reivindicação de pelo menos cinco anos do setor administrativo da UEL.
O caso também vinha sendo analisado pela Pró-Reitoria de Planejamento da UEL. Segundo o pró-reitor, professor do departamento de Arquitetura, Otávio Shimba, o custo do banheiro e a comparação do projeto com a planilha de custos também lhe causou ''estranheza''. ''É normal fazermos essa avaliação técnica no início da gestão, até para se ter uma idéia e dar ou não continuidade ao projeto. Mas no caso do banheiro me causou estranheza essa composição de preços, não apenas pela metragem, como também pela simplicidade da obra'', afirmou, referindo-se à estrutura que, atualmente na fase de alicerçamento, tem previsão de ser acabada em até 90 dias.
Pela portaria de ontem, a comissão inicia os trabalhos em três dias, a contar de sua criação. Shimba adiantou que a primeira etapa das tarefas será definir quais obras em andamento passarão pela avaliação do grupo, das licitações aos projetos. Só no campuis, avaliou, são pelo menos quatro.
O prefeito do campus universitário, Walter Germanovix, adiantou que, além do banheiro, devem passar pelo crivo da sindicância salas de aula no Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA, de 381 m2), um laboratório de mestrado em Bioquímica para o Centro de Ciências Exatas (CCE, com 160 m2) e um observatório astronômico, também no CCE, com 116,5 m2. Conforme Germanovix, há também obras concluídas, mas que precisarão passar pelo processo de revisão.
O procurador jurídico da universidade e um dos membros da comissão, Ruy Carneiro, informou que a análise de planilhas de todas as obras em andamento terá como referência as planilhas do Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom), ''até até para verificar se os preços que foram praticados aqui são condizentes com a realidade de mercado''. Assim como Shimba, Carneiro não quis falar em ''investigação'': ''Só com elementos nas mãos. Mesmo assim, devemos pedir que o Decom nos mande técnicos para avaliar os projetos em questão, ou esses documentos serão encaminhados ao Decom para as comparações necessárias''.
Pelo livro-relatório da gestão da ex-reitora Lygia Puppato e do ex-vice-reitor Eduardo Di Mauro, publicado em junho passado, só de obras e instalações em andamento a administração deles investiu pouco mais de R$ 14,7 milhões, entre recursos próprios, federais e estaduais. Ao todo, são 39 empreendimentos. A publicação também é alvo de investigação na UEL e por parte do Ministério Público (MP), que apura se houve promoção pessoal em desfavor da institucional.

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