Sindicância vai investigar obras em andamento na UEL
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segunda-feira, 07 de agosto de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Pelo menos quatro obras em andamento no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL) passarão por uma avaliação de custos das respectivas planilhas. Elas foram iniciadas na gestão 2002/2006 - que deixou o comando da instituição em junho passado - e estão no rol de investimentos a serem investigados por uma comissão de sindicância instaurada ontem pelo reitor Wilmar Sachetin Marçal.
Entre as obras que chamaram a atenção da administração da universidade está um banheiro de pouco mais de 37,82 m2, construído ao lado da reitoria ao custo de R$ 61.294 - pouco mais de R$ 1,62 mil o metro quadrado. O valor é quase o dobro da tabela do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon-Norte), por exemplo, que calculou o Custo Unitário Básico (CUB) do metro quadrado construído, em valores de julho deste ano, a R$ 882,09, com utilização de materiais de primeira linha.
De acordo com a portaria que instituiu a comissão de sindicância - composta por cinco membros efetivos e um suplente -, a medida se fez necessária após a última reunião do Conselho Universitário (COU), na quinta-feira passada. Na ocasião, uma servidora que representa os funcionários técnico-administrativos no Conselho relatou ''estranhamento'' em relação aos custos da obra do banheiro, reivindicação de pelo menos cinco anos do setor administrativo da UEL.
O caso também vinha sendo analisado pela Pró-Reitoria de Planejamento da UEL. Segundo o pró-reitor, professor do departamento de Arquitetura, Otávio Shimba, o custo do banheiro e a comparação do projeto com a planilha de custos também lhe causou ''estranheza''. ''É normal fazermos essa avaliação técnica no início da gestão, até para se ter uma idéia e dar ou não continuidade ao projeto. Mas no caso do banheiro me causou estranheza essa composição de preços, não apenas pela metragem, como também pela simplicidade da obra'', afirmou, referindo-se à estrutura que, atualmente na fase de alicerçamento, tem previsão de ser acabada em até 90 dias.
Pela portaria de ontem, a comissão inicia os trabalhos em três dias, a contar de sua criação. Shimba adiantou que a primeira etapa das tarefas será definir quais obras em andamento passarão pela avaliação do grupo, das licitações aos projetos. Só no campuis, avaliou, são pelo menos quatro.
O prefeito do campus universitário, Walter Germanovix, adiantou que, além do banheiro, devem passar pelo crivo da sindicância salas de aula no Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA, de 381 m2), um laboratório de mestrado em Bioquímica para o Centro de Ciências Exatas (CCE, com 160 m2) e um observatório astronômico, também no CCE, com 116,5 m2. Conforme Germanovix, há também obras concluídas, mas que precisarão passar pelo processo de revisão.
O procurador jurídico da universidade e um dos membros da comissão, Ruy Carneiro, informou que a análise de planilhas de todas as obras em andamento terá como referência as planilhas do Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom), ''até até para verificar se os preços que foram praticados aqui são condizentes com a realidade de mercado''. Assim como Shimba, Carneiro não quis falar em ''investigação'': ''Só com elementos nas mãos. Mesmo assim, devemos pedir que o Decom nos mande técnicos para avaliar os projetos em questão, ou esses documentos serão encaminhados ao Decom para as comparações necessárias''.
Pelo livro-relatório da gestão da ex-reitora Lygia Puppato e do ex-vice-reitor Eduardo Di Mauro, publicado em junho passado, só de obras e instalações em andamento a administração deles investiu pouco mais de R$ 14,7 milhões, entre recursos próprios, federais e estaduais. Ao todo, são 39 empreendimentos. A publicação também é alvo de investigação na UEL e por parte do Ministério Público (MP), que apura se houve promoção pessoal em desfavor da institucional.


