Curitiba- ''Muita gente está començando a dar expediente agora.'' Essa é a explicação que se ouve na Assembléia Legislativa sobre os servidores efetivos e estáveis da Casa que tiveram seus nomes publicados em uma lista no Diário da Assembléia. A informação oficial da Casa é de que todos trabalham efetivamente. O presidente da Assembléia, deputado Hermas Brandão (PSDB), admitiu à Folha que o controle é hoje ''ínfimo'', disse que uma sindicância vai ser aberta sobre a questão e também que dentro de alguns meses os funcionários vão usar cartão-ponto. Além disso, o deputado Tadeu Veneri (PT) afirmou que irá solicitar nesta segunda-feira à Mesa da Casa explicações sobre o assunto.
A lista que contém 607 nomes de servidores que vão receber a gratificação de encargos especiais foi publicada no início da semana e causou reclamações entre os funcionários.
Servidores mais antigos reclamam que muitos dos que vão receber o benefício nunca apareceram para trabalhar e que alguns vão receber mais do que os que efetivamente trabalham. ''Cada funcionário preencheu de próprio punho a ficha para o reenquadramento'', argumentou Brandão. Mesmo assim, ele afirmou que uma investigação será feita. Atualmente os funcionários do Legislativo assinam um livro-ponto. A presença dos efetivos e estáveis no mês de maio será conferida e o nome de quem não apareceu será publicado em edital.
''Eu sei que o sistema é falho. Mas eu tenho feito o possível. É muito difícil demitir servidor público. Há cinco anos foram mandados embora 2,4 mil funcionários numa canetada só'', justificou Brandão. ''E a Assembléia do Paraná é a mais enxuta do País'', assegurou. Brandão disse que vai tentar novamente implantar um programa de demissão voluntária (PDV). Mas espera ter mais sucesso desta vez.
O presidente da Assembléia disse ainda que na nova guarita da Casa, que está quase pronta (já faz quase dois anos que ela está sendo construída), será instalado o sistema de controle de ponto eletrônico com câmeras de vídeo para ver se é de fato o funcionário que está passando o seu cartão. ''A demora é porque eu dei para o Decon (Departamento de Construções da secretaria de Estado de Obras) do governo do Estado construir'', reclamou o deputado.
A reportagem da Folha pediu para o diretor geral da Assembléia, Abib Miguel, o impacto destes 607 funcionários na folha de pagamento da Casa. O diretor prometeu a informação para a próxima semama. A Folha pediu também acesso à lista de funcionários comissionados da Assembléia. Neste caso Miguel ficou de verificar se pode repassá-la. ''Tenho que conversar com os gabinetes. Até porque lista de funcionários é uma coisa sigilosa'', explicou. O diretor geral fez questão de ressaltar que, caso haja, é importante punir funcionários ''fantasmas.'' Salientou também que os servidores do Legislativo ''trabalham muito, sem horário para sair.''
A Casa possui 53 funcionários efetivos, que passaram no último concurso público feito pela Assembléia em 1962. Outros 411 entraram como funcionários celetistas antes de 1988 e com a promulgação da Constituição Federal naquele ano passaram a ser estáveis, com todos os direitos de servidores públicos. Já os outros 143 foram efetivados com base na Lei estadual 10.219/02, conforme informou o diretor geral.

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