Sindicância vai apurar denúncias contra Assembleia
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terça-feira, 16 de março de 2010
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe da Folha 
Curitiba- O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Nelson Justus (DE) anunciou ontem que determinou a abertura de uma sindicância para investigar as denúncias feitas contra a Casa pela RPC TV e o jornal Gazeta do Povo. Os dois órgãos de imprensa noticiaram ontem a contratação de funcionários ''fantasmas'' na Casa e a existência de Diários Oficiais da Casa avulsos, sem numeração e que continham nomeações e exonerações de funcionários.
Ontem Justus não quis falar com imprensa nem detalhou se as investigações vão apurar as denúncias de nomeação de funcionários ''fantasmas'' ou o fato dos Diários Oficiais do órgão serem de acesso restrito e terem edições sem numeração. ''Eu não quero entrar em pormenores enquanto tudo isso não estiver esclarecido para não cometer equívocos'', disse o parlamentar em pronunciamento durante sessão de ontem da Assembleia. Ele nega ter contratado a funcionária citada na reportagem.
Justus defendeu a existência de diários avulsos. ''Ato avulso é uma publicação extraordinária, portanto não é secreto'', explicou. Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Paraná (OAB-PR), José Lúcio Glomb, a existência de diários oficiais da Assembleia sem numeração e aos quais o acesso é limitado é questionável. ''Não tem publicidade nenhuma se a publicação não tem número certo, data certa, periodicidade certa. Então ela (a publicação) não cumpre a sua finalidade'', afirmou.
Já o deputado Jocelito Canto (PTB), que foi citado com responsável pela contratação de uma das funcionárias ''fantasma'', avisou que irá processar os veículos responsáveis pela divulgação. ''Eu não sou santo, mas também não sou marginal'', declarou. O parlamentar classificou a denúncia de ''ato de assassinato''. ''Isso mexe com um povo que eu sempre defendi'', completou.
Ontem o deputado Tadeu Veneri (PT) defendeu que a Assembleia coloque a disposição de todos os parlamentares e da imprensa todos os diários editados pela Casa. ''Nós recebemos os (diários) normais. Os outros, como não tem número, não tem como saber'', disse.
A exoneração de uma das ex-funcionárias do parlamentar, Maria Rosa Chaves Kunzle, aparece em um dos diários avulsos, publicado em 31 de março de 2008. Segundo Veneri, a publicação foi enviada ao gabinete dele, mas somente a página 14 da publicação, que continha o ato de exoneração. ''O que é que tem nas outras 13 páginas desse diário?'', questionou.
Já o coordenador do Portal da Transparência, deputado Durval Amaral (DEM), ao ser questionado porque os diários não foram publicados no site, negou ser responsável pelo assunto. ''Só posso responder por minha atuação como deputado'', desconversou. Mas defendeu o acesso do público aos diários. ''(Sem o acesso) começa a haver reserva de informação'', disse. Segundo Durval, ''não se sabe se o problema (com as nomeações) é do parlamentar ou administrativo''.


