A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina prorrogou por mais 90 dias úteis a sindicância aberta no final de fevereiro para apurar suposto esquema de cancelamento irregular de multas, em benefício de servidores. A informação foi confirmada pelo presidente da companhia, André Nadai. Ele informou que o pedido de prorrogação de prazo foi justificado pelo grande número de autos de infração a serem analisados e pela falta de pessoal. ''Foi realizado o levantamento de todas as multas canceladas nos últimos cinco anos e deste total os integrantes da comissão selecionaram algumas que serão analisadas com mais detalhes.''. Nadai afirmou que agora começa o cruzamento de dados, ''conferindo esses talões e o que está no sistema''.
Nos últimos 30 dias houve redução no número de servidores na assessoria jurídica e isso causou, segundo Nadai, um atraso nos trabalhos da comissão de sindicância cujo presidente também responde pela assessoria jurídica da CMTU. ''Primeiro saiu a advogada Cristel Baredi, que assumiu a diretoria administrativo-financeira e depois um outro advogado, que passou num concurso e ficamos apenas com três advogados, incluindo o presidente da comissão para cuidar dos temas jurídicos da CMTU.''
Nadai não antecipou nenhum resultado parcial da sindicância, alegando que espera o resultado para emitir o seu parecer. Ele não descartou oitiva de servidores, mas evitou dar detalhes. ''Não posso interferir nos trabalhos, porque no final sou eu quem vai dar o parecer, de acordo com os resultados''.
A CMTU abriu a sindicância no final de fevereiro, alguns dias antes da operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público (MP) estadual, que recolheu arquivos de multas, cumprindo mandados de busca e apreensão na sede da companhia. Após receber denúncias de agentes de trânsito, o Gaeco também abriu investigação sobre o suposto esquema de quebra de multas. Ontem, o promotor de Justiça Jorge Barreto da Costa informou que o procedimento, no MP, deve ser concluído até a semana que vem.
Servidores investigados
No começo de março, após auditoria realizada no material apreendido na CMTU, o Gaeco encontrou documentos que podem comprovar o cancelamento irregular de pelo menos duas multas aplicadas a veículos pertencentes a familiares de servidores do alto escalão da companhia. Essas multas foram anexadas à investigação criminal, que apura suposta falsificação de documentos públicos por meio do cancelamento irregular dos autos de infração. As multas canceladas referem-se a um veículo Renaut Logan, que pertence à esposa de Rogério Duque de Oliveira, e a um Honda Civic, cuja posse é de um familiar de Maurício Teixeira dos Anjos. Rogério é assessor técnico da Diretoria de Trânsito da CMTU e Maurício é coordenador de espaço público da companhia.
Entre os investigados pelo MP, também está a ex-coordenadora de trânsito, Maria do Socorro, que, segundo depoimentos, teria incentivado o ''perdão'' das multas. Na ocasião, ela foi procurada pela FOLHA, mas não quis comentar as denúncias. A advogada de Rogério Duque, Lilian Velasco, ressaltou que ''ele ainda não é réu, ainda não existe um inquérito, pois estão tentando reunir provas, mas ainda não existe nada''. O coordenador de espaço público, Maurício Teixeira dos Anjos, preferiu não dar entrevista.

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