Sindicância quer quebrar sigilos de comando da CPI
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sexta-feira, 28 de setembro de 2001
Gilse Campos<br> Agência Estado<br> De Brasília 
O deputado Moroni Torgan (PFL-CE), integrante da comissão de sindicância que apura a tentativa de extorsão de empreiteiros, anunciou ontem que pedirá na terça-feira a quebra de sigilo telefônico do comando da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Obras Inacabadas. Segundo Torgan, a medida é importante porque há suspeitas de que deputados tenham telefonado para donos de construtoras e assessores deles com objetivo de cobrar dinheiro em troca da retirada dos nomes das empresas do relatório final da CPI, a ser apresentado no dia 9.
''Se os próprios deputados não derem autorização para a abertura de suas contas telefônicas na terça-feira, vou encaminhar, na mesma hora, pedido formal à CPI das Obras Inacabadas para a quebra de sigilo'', afirmou Torgan. Deverão ter os sigilos abertos o presidente da CPI, Damião Feliciano (PMDB-PB), que estaria envolvido no esquema de propina, os três vice-presidentes, Francisco Garcia (PFL-AM), João Coser (PT-ES), Augusto Nardes (PPB-RS), e o relator, Anivaldo Vale (PSDB-PA). Feliciano vem negando sistematicamente qualquer envolvimento com extorsão e chegou a declarar que estaria sendo vítima de racismo.
Se a comissão de sindicância identificar telefonemas feitos para empreiteiros, a Câmara poderá ter um importante ponto de partida. Por enquanto, os integrantes da comissão enfrentam um impasse, diante da falta de elementos para fazer a apuração. Isto porque, até ontem, eles não haviam conseguido levantar provas para fundamentar a investigação da denúncia, apresentada pelo líder do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães Júnior (BA), de que um empreiteiro foi procurado por um ''emissário da CPI'', propondo o pagamento de dinheiro.
Anteontem, o deputado tucano se recusou a revelar o nome do empresário, alegando sigilo da fonte em depoimento à comissão. O prazo para a conclusão dos trabalhos termina dentro de 15 dias, quando deverá ser entregue um parecer sobre o suposto esquema irregular.


