Sindicância envolve Diniz em irregularidades
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terça-feira, 23 de março de 2004
Vannildo Mendes<br> Agência Estado 
Brasília - Sindicância realizada pelo Palácio do Planalto concluiu que o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz cometeu atos de improbidade administrativa e faltou com a ética no exercício do cargo. Diniz intermediou a negociação da renovação do contrato entre a multinacional Gtech e a Caixa Econômica Federal (CEF) para operação de loterias, participou de uma tentativa de extorsão contra a empresa, usou o cargo para pedir favores ao Hospital Sarah Kubitschek e realizou encontros privados para os quais não estava autorizado, sem deixar registro nem dar satisfação aos superiores.
Ele foi demitido em 13 de fevereiro, a pedido, depois que a revista ''Época'' publicou uma fita de vídeo em que aparece negociando propina para si e recursos para a campanha de políticos petistas com o empresário de jogos eletrônicos Carlos Augusto Ramos, o ''Carlinhos Cachoeira'', em 2002.
Aberta em 19 de fevereiro, a sindicância ouviu 24 testemunhas, cruzou dados da área de informações do governo com documentos da Caixa e do Ministério Público (MP) e realizou várias diligências, até levantar os indícios de corrupção do ex-assessor presidencial.
O relatório da Comissão de Sindicância, concluída segunda-feira (22), após um mês de investigações, foi divulgado ontem pelo chefe da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência da República, Aldo Rebelo, e será encaminhado ao MP e à Polícia Federal (PF) para adoção de providências criminais. No trecho mais contundente, o relatório diz que Diniz ''pretendeu, valendo-se do cargo, lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública''. ''Ao proceder assim, desgarrou-se do princípio da legalidade, probidade, moralidade e impessoalidade.''
Os dados servirão de subsídio para o inquérito da PF em que Diniz é acusado de corrupção, improbidade administrativa, concussão e extorsão. A assessora dele Ana Cristina Moraes Sena também foi indiciada no relatório por subtração de documento e obstrução dos trabalhos da comissão.
Diniz, conforme o relatório, realizou três reuniões no Hotel Blue Tree Park, em Brasília, com o ex-presidente da Gtech Antônio Carlos Rocha Lino e o atual diretor de Marketing da empresa, Marcelo Rovai. As reuniões ocorreram entre fevereiro e abril, período em que a Caixa discutia a renovação do contrato com a Gtech. Nessas reuniões, ele insistiu na contratação do consultor Rogério Buratti, ex-secretário de Governo da prefeitura de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, na gestão do atual ministro da Fazenda, Antônio Palocci, para facilitar as negociações.
Nos contatos que fez com os mesmos dirigentes, Buratti estipulou uma comissão entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões pelos serviços. A Gtech garantiu à comissão que não pagou e, por isso, teria sido hostilizada por Diniz na última reunião, em 29 de abril, após a assinatura do contrato com a Caixa. Diniz, conforme a comissão, não mantinha registro dessas reuniões privadas, que depois vieram a se caracterizar como clandestinas. O relatório faz uma censura à PF por não ter colaborado enviando documentos solicitados.


