Sindicância colhe primeiros depoimentos
CRIME ORGANIZADO Sindicância colhe primeiros depoimentos Delegado e militar ouvidos pela CPI devem detalhar envolvimento de policiais à comissão encarregada da faxina na Polícia José SuassunaAO TRABALHOPrimeiro encontro de comissão ontem em Curitiba: deliberações incluem depoimentos e análise do material da CPI Leandro Donatti De Curitiba O delegado do Grupo Força Especial de Repressão Antitóxicos (Fera), Adauto de Oliveira, e o chefe do serviço secreto da Polícia Militar, major Waldir Copeti Neves, serão ouvidos amanhã pela comissão especial de sindicância, criada pelo governador Jaime Lerner (PFL) para apurar o grau de envolvimento da Polícia Civil do Paraná com o narcotráfico. A tomada dos depoimentos foi acertada ontem à tarde, durante a primeira reunião da comissão, em Curitiba. O presidente da comissão especial, secretário do Governo José Cid Campêlo Filho, disse que os depoimentos dão o start dos trabalhos, que devem ser concluídos em 30 dias, como manda o decreto de Lerner. Tanto Adauto de Oliveira quanto o major Neves prestaram depoimentos reservados à CPI do Narcotráfico, quando da passagem da comissão parlamentar pelo Paraná, no início deste mês. Adauto repassou farto material dando conta do envolvimento de policiais civis e delegados com o tráfico de drogas, desmanche de carros, e com o desvio de cargas. Muitas das informações prestadas pelo delegado que responde pelo Fera deram o tom das investigações, cujo saldo foi a queda do delegado-geral João Ricardo Képes Noronha, atualmente foragido, e o afastamento temporário, pelo governo do Estado, de pelo menos 30 delegados e policiais. Major Neves também repassou à CPI do Narcotráfico informações sigilosas em poder da Polícia Militar para detonar o esquema instalado na Polícia Civil. Segundo fontes da CPI, Neves teria ido mais longe ao dizer que o secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, tinha conhecimento dos crimes cometidos pelos policiais civis acusados pelas testemunhas ouvidas pela comissão parlamentar. Para a comissão especial do governo, as informações são fundamentais para embasar a instauração de procedimentos administrativos contra os servidores envolvidos e medir, de certa forma, se Cândido Martins foi ou não conivente com o esquema. A escolha de Adauto de Oliveira e do major Neves foi consenso na comissão comandada por Cid Campêlo e integrada ainda pelos secretários da Administração, Maria Elisa Paciornik; da Justiça, José Tavares; e pelo procurador geral do Estado, Joel Coimbra. Além dos representantes do Ministério Público, o procurador-chefe da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) Dartagnan Cadille Abilhoa e o promotor Vani Bueno; da Assembléia Legislativa, Algaci Túlio (PTB); e da OAB-Paraná, Francisco Accioly. O Judiciário não integra a comissão, para, mais tarde, em caso de julgamentos dos envolvidos, não ter sua competência colocada sob suspeição. Paralelamente à tomada de depoimentos, a comissão especial de sindicância vai fazer uma releitura do material obtido pela CPI do Narcotráfico, para ver até que ponto há provas que embasem processos administrativos. A comissão encaminhou dois ofícios ontem, um dirigido ao presidente da CPI, deputado federal Magno Malta (PTB-ES), e outro para o procurador-geral da Justiça, Gilberto Giacóia. Da CPI, a comissão criada pelo governo quer as cópias de todos os depoimentos. Do Ministério Público do Paraná, a relação dos envolvidos que estão sob investigação. Isso é que vai nos balizar para afastarmos ou demitirmos, disse Cid Campêlo. O secretário disse que, para cumprir o prazo fixado em decreto pelo governador, a comissão irá se reunir quase que diariamente.





