Agência Estado
De Brasília
Arquivo FolhaORDEMPadilha: ‘‘Quero transparência e imparcialidade, para que não se cometa nenhuma injustiça contra ninguém, nem contra o erário’’O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, disse ontem que abrirá uma sindicância para apurar denúncia divulgada pelo jornal ‘‘Folha de S.Paulo’’, segundo a qual haveria um esquema de cobrança de propinas para acelerar o pagamento de precatórios (dívida que a Justiça manda pagar) no Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). ‘‘Será meu primeiro ato na quarta-feira de manh㒒, disse o ministro.
Ele informou, ainda, que solicitará à Advocacia Geral da União (AGU) que indique o presidente da comissão de sindicância. ‘‘Quero transparência e imparcialidade, para que não se cometa nenhuma injustiça contra ninguém, nem contra o erário público.’’ A reportagem da Folha de S. Paulo informa que o esquema de pagamento de propinas passa pelo próprio Padilha, que teria centralizado o pagamento de precatórios. O ministro nega. ‘‘É tudo descentralizado’’, afirmou. Ele disse que não conhece os lobistas citados na reportagem. Esses lobistas seriam advogados especializados em conseguir, junto à área jurídica do DNER, que a ordem de pagamento dos precatórios fosse modificada.
Pela lei, os precatórios devem ser pagos em ordem cronológica. As propinas seriam pagas para ‘‘furar’’ a fila. Segundo a matéria, pelo menos R$ 27,8 milhões em precatórios foram pagos de forma considerada irregular.
Padilha disse que já entrou em contato com o ministro da Justiça, José Carlos Dias, para pedir ajuda à Polícia Federal nas investigações. ‘‘Solicitei ao ministro um inquérito para ouvir os lobistas e apurar a veracidade de tudo o que eles dizem para responsabilizar quem de direito’’, afirmou. ‘‘É matéria típica de polícia.’’
A procuradoria do DNER já é alvo de outra sindicância aberta por determinação de Padilha no dia 8 de setembro. O ministro mandou investigar denúncias de superfaturamento no pagamento de uma área desapropriada para construção de estradas no Mato Grosso. Essa irregularidade estaria sendo cometida com a ajuda dos procuradores do DNER no Mato Grosso e da procuradoria-geral do órgão, em Brasília.
O prazo para conclusão das investigações era dia 8 de novembro mas, a pedido de Padilha, deverá ficar pronta até quarta-feira. Segundo o ministro, há indícios claros de irregularidade cometidas por alguns funcionários.
‘‘Possivelmente, adotaremos medidas administrativas já nessa área’’, disse. Padilha disse que há algum tempo tem se preocupado com o funcionamento da área jurídica de órgãos ligados ao Ministério dos Transportes.

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