Arquivo FolhaPaulinho: se os juros continuarem altos, ‘‘a barra vai pesar’’As lideranças sindicais temem que o pacote fiscal de hoje traga aumento do desemprego e dos impostos para os trabalhadores. ‘‘Os juros já estão altos. Se tiver mais medida para criar desemprego não sei onde a coisa vai parar’’, disse Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e diretor da Força Sindical.
Mesmo sem considerar o pacote fiscal, Paulinho estima que se o governo mantiver os juros no atual patamar, ‘‘a barra vai pesar no início de 98, com uma média de 15 mil demissões por mês só na minha base (cidade de São Paulo). A situação pode se agravar, acredita, ‘‘se o governo elevar muito os
impostos para as empresas’’. Ele disse que nunca havia visto, em toda a sua história de sindicalismo, férias coletivas em novembro.
‘‘A tensão é grande nas fábricas. Férias coletivas é prenúncio de demissão’’, diz Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, presidente da CUT. Segundo ele, os boatos de cortes no ABC e no Polo Petroquímico de Camaçari, na Bahia, de onde acaba de voltar, são grandes. ‘‘A rádio-peão só fala nisso. O presidente da CUT acredita que poderá haver também demissões no setor público. ‘‘Na lógica errada do governo, essa medida é bem provável’’, diz Vicentinho.
De acordo com Vicentinho, ‘‘a coisa está feita. O governo não cuidou direito de nosso país. É como um diabético que recebeu um tratamento inadequado e agora tem de cortar a perna’’, disse. Para Vicentinho, também um possível aumento de impostos vai ‘‘recair sobre as costas dos trabalhadores’’.
Paulinho acredita no entanto que, dependendo do imposto a ser elevado, o impacto pode até ser positivo sobre o emprego. ‘‘Se for o Imposto de Importação é até bom, pois protege a nossa indústria. E também podemos ganhar com incentivos à exportação.

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