Sindicalistas querem afastar prefeito
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quinta-feira, 04 de dezembro de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaDefensivaHarry Daijó: Temos informações que foram recolhidas assinaturas de turistas e crianças Dezesseis sindicatos de Foz do Iguaçu, a maioria ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), entregaram ontem pedido de abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara contra o prefeito Harry Daijó (PPB). As denúncias formuladas pelos sindicalistas são de superfaturamento em obras, contratos irregulares e até a realização de uma festa para 1.500 convidados regada com champanhe francês e uisque escocês pagos com dinheiro público.
Os sindicalistas conseguiram 16 mil assinaturas pedindo a abertura da comissão. A Câmara informou que o número de assinaturas é suficiente para abertura de projeto de iniciativa popular. No entanto, comissões de inquérito não podem ser abertas por meio de abaixo-assinado, que é uma prerrogativa exclusiva dos vereadores. Ainda assim, o presidente da Câmara, vereador Hermes Vetorello (PFL), recebeu as denúncias e o pedido de afastamento.
Vamos usar as 16 mil assinaturas apenas para pressionar os vereadores e mostrar a indignação da população, disse o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, Luiz Carlos de Oliveira, que lidera a campanha Basta de Desgoverno. Fora Daijó!, lançada no mês passado.
No manifesto, os sindicalistas denunciam o pagamento irregular na coleta de lixo de quase R$ 2 milhões, venda de telhas sem licitação para socorrer desabrigados em um vendaval, nomeação de 328 cabos eleitorais e parentes de vereadores em troca de apoio na Câmara - o que acarretou em um salto de mais de R$ 2 milhões na folha de pagamento - e superfaturamento em contrato de locação de veículos.
O prefeito disse à Folha que vai esperar a decisão da Câmara para se pronunciar sobre o pedido de seu afastamento e questionou a forma como foram recolhidas as assinaturas. Temos informações que foram recolhidas assinaturas de turistas e crianças. Na segunda-feira da semana passada, nós flagramos um pessoal colhendo assinaturas em um colégio da cidade sem saber se os estudantes eram ou não eleitores, disse o prefeito.
Para Daijó, os sindicalistas sabem que o pedido de afastamento não terá nenhum resultado prático, mas estão tentando criar fato e espaço na mídia. Se não usassem esse esquema de coleta de assinaturas, não teriam a adesão de 4.500 pessoas, disse o secretário de Comunicação Social, jornalista Mauri Konig.
Desde abril, Daijó vem sofrendo vários desgastes, inclusive uma greve do funcionalismo e até brigas internas entre o secretariado, que culminou no rompimento da coligação PPB-PDT. No início da administração, o vice-prefeito brigou com o então secretário-chefe de Gabinete, Adilson Rabelo, e explodiu uma série de denúncias contra os dois. As denúncias sempre respingavam em Daijó.
Na semana passada, o prefeito iniciou um programa de interiorização da administração, em que despacha em escolas da cidade. A assessoria do prefeito negou que essa decisão seja uma forma de popularizar sua administração depois das denúncias feitas pelo vice-prefeito e pelos sindicatos.


