Sindafep rejeita tese de 'clube dos auditores'
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sábado, 23 de maio de 2015
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
O Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita do Estado do Paraná (Sindafep) negou à FOLHA a existência de uma espécie de "clube" de auditores fiscais para apoio a campanhas eleitorais. "Doação (financeira) para político é coisa individual. O sindicato não dá essa orientação a ninguém", rebate o vice-presidente da entidade, Olávio Pires Pereira.
Em resposta a reportagem publicada na última semana na FOLHA sobre as doações que recebeu de dois auditores fiscais de Londrina total de R$ 5,3 mil o deputado federal Marcelo Belinati (PP) informou, por meio de nota, que os organizadores da campanha do ano passado receberam uma ligação de Ricardo de Freitas que "relatou-nos ser membro do sindicato dos funcionários da Receita Estadual, que eventualmente contribuíam para algumas candidaturas". Freitas é um dos 62 réus na ação penal da operação Publicano. A abordagem que teria sido feita por Freitas ao político desagradou Sindafep.
A FOLHA mostrou ainda, que 49 auditores das delegacias regionais de Curitiba e Região Metropolitana colocaram R$ 204 mil na campanha do governador Beto Richa (PSDB), no ano passado. Cinco doaram, individualmente, R$ 20 mil, valor que quem ganha um salário mínimo levaria dois anos para juntar. Sem comentar valores, Pereira reforçou que a iniciativa dos profissionais que querem dar dinheiro para campanhas não pode ser classificada como crime. "A Receita está em diversas regiões do Paraná, cada um tem lá um contato com determinado político e ajuda como quiser. Posso lhe dizer, inclusive, que alguns colegas doaram ao Roberto Requião (PMDB) na campanha do ano passado."
Sobre as doações a Beto, o PSDB do Paraná afirmou que "as doações para a campanha de 2014 foram realizadas de maneira voluntária e que todas ocorreram dentro da legalidade, sendo registradas e atestadas pelo Comitê Financeiro". Conforme a nota enviada pelo partido, "as contas foram apresentadas e aprovadas integralmente pela Justiça Eleitoral".
No caso da doação feita para Belinati, o parlamentar informou que nunca teve "contato pessoal com o senhor Ricardo" nem com os demais auditores citados na investigação. O vice-presidente do Sindafep lembrou do prefeito de Foz do Iguaçu (Oeste), Reni Pereira (PSB), que é auditor fiscal. "É bem provável que colegas tenham doado para a campanha dele", citou Pereira, considerando que as contas estão demonstradas na Justiça Eleitoral.
Conforme declarações dadas à imprensa pelo advogado Eduardo Duarte Ferreira, que defende o auditor Luiz Antonio de Souza, o seu cliente teria revelado ao Ministério Público (MP) do Paraná um suposto esquema de arrecadação de propina na delegacia de Londrina, sendo parte para campanhas eleitorais. Souza fez acordo de delação premiada com o MP. "Apoiamos as investigações porque a instituição não pode pagar por supostos erros de alguns", finalizou Pereira.


