O Sindicato dos Contabilistas de Londrina e Região (Sincolon) se manifestou ontem em apoio às investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que desmantelou um esquema de corrupção dentro da Receita Estadual de Londrina e defendeu a punição dos envolvidos que tenham a ser condenados. A segunda fase da operação Publicano, deflagrada na semana passada, investiga 11 contadores suspeitos de participar do esquema.
A nota oficial distribuída ontem é assinada por Geraldo Sapateiro, presidente da entidade que representa 3.737 contabilistas em 57 cidades da região. "Os maus profissionais, não só contadores, de forma justa e legal, devem ser expurgados de nossos meios, para a construção de uma sociedade melhor", diz o documento.
Ainda de acordo com a nota oficial, a categoria é regulada pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e, nos estados, por conselhos regionais. Além disso, também há um código de ética que determina a conduta dos profissionais e prevê punições por infrações.
Segundo o Gaeco, o auditor fiscal Marco Antonio de Souza disse, em delação premiada, que a maior parte das empresas que pagavam propina faziam o intermédio com o auditor fiscal por meio dos contadores e que o próprio auditor preferia esse contato porque "sentia-se mais seguro ao lidar com contadores".
Souza também teria dito que a maior parte destes profissionais ficavam com uma parte da propina, chegando a até 10% do valor.
No dia 13 de maio, o Conselho Regional de Contabilidade do Paraná solicitou informações ao Gaeco sobre os contadores envolvidos na investigação para encaminhar para análise do conselho de ética da categoria. De acordo com a presidente Lucélia Lecheta, os processos podem resultar em advertência reservada, censura pública, suspensão por tempo determinado do exercício da profissional e cassação do registro. (L.F.W.)

mockup