Sinais imperceptíveis
Tenta-se no governo estadual criar um clima de superação das dificuldades fiscais que tem tudo de ornamental: fala-se, por exemplo, num superavit de R$ 2 bilhões e isso em cima das três folhas do pessoal entre novembro-dezembro que isoladamente representam algo em torno de R$ 3,8 bilhões sem falar nas antecipações de férias, promoções e progressões. Por sinal que nem promoções muito menos progressões estão sendo observadas, isso é continuidade da crônica inadimplência pública, e sinal de que o mau tempo ainda não acabou.
É evidente que com o aumento de tributos a arrecadação teria de crescer como de fato ocorreu, algo em torno de 18%, mas aquilo que é fundamental, a redução das despesas caiu, como o próprio governo afirmou, apenas 1%. E o esforço é mínimo para conter a prodigalidade, que está no DNA desse time.
Como há, além das ações no Judiciário de servidores em busca das promoções e progressões, uma dívida que vai se acumulando, além daquele declarado R$ 1 bilhão sob forma de parcelamento a fornecedores e prestadores de serviço, dá para perceber que estamos ainda longe da anunciada estiagem.
O fato, por exemplo, de boa parte da hierarquia de auditores fiscais estar fora de combate, por uma depuração cautelar administrativa, dá a entender que há também falta de quadros suficientes para uma ação recuperadora do fisco que suplemente as medidas de refinanciamento dessas dívidas que funcionarão até o fim deste mês e na qual os otimistas oficiais tanto acreditam.

Exemplo moral
Londrina aparece tão mal nos quadros da corrupção paranaense, desde os eventos da gestão Belinati com o clássico AMA/Comurb, principalmente naquilo que se viu tanto no mensalão como no petrolão, que está na hora de revitalizar aquele grande momento do ''Pé-vermelho, mãos limpas'' em que Igreja, OAB, evangélicos, maçonaria e movimentos sociais exerceram uma tal pressão que redundou até em intervenção direta no telejornalismo da Globo local pela cobertura que dava aos autores da maracutaia. Do doleiro Alberto Youssef ao operador Janene e em seguida atingindo André Vargas e também com indícios alcançando a senadora Gleisi Hoffmann e seu marido e ex-ministro Paulo Bernardo, há todo sentido numa reflexão que ponha em destaque os valores morais que afinal estão nos fundamentos da Londrina permanente.
É constrangedor ver na listagem dos envolvidos tanta gente da terra e que também aparece com destaque nas operações do Gaeco, a Publicano da gangue fiscal e a Voldemort, em ambas aparecendo outra figura da praça, o Luiz Abi Antoun, o parente cada vez mais remoto de Beto Richa e a todo momento referido como o operador político dos dois processos.
Num momento em que Londrina vibra com o feito do Tubarão chegando à Série B do campeonato nacional, o que põe em relevo um feito comum da sociedade e que curte valores identitários de afirmação, é bom pensar na galeria dos bons que não se confundem com aqueles que são acusados de desvios. Oxalá, pelo menos alguns deles provem a sua inocência para que diminua o peso da maldição.

Zero na aritmética
O Beto Richa está num momento terrivelmente aziago: além do envolvimento de pessoas de sua relação mais íntima em irregularidades, o veto do Ministério Público de Contas ao exercício de 2014 e agora, para completar a sinistrose, a cotação baixíssima que obteve em sondagem da Paraná Pesquisas entre os governadores, na qual aparece, rompendo uma tradição da praça, que até há pouco ainda o privilegiava, como o tucano menos credenciado da lista, perdendo, inclusive, para o Pesão do Rio de Janeiro. Para isso, em lugar de gabinete de crise o melhor é um descarrego em rio de água de serra ou num desses lajeados do planalto.

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