O juiz da 189 Zona Eleitoral de Londrina, Mário Nini Azzolini, disse ontem que os quatro simuladores de urna eletrônica encontrados na fazenda da família do deputado federal José Janene (PP) no distrito rural de Guaravera, no último sábado, ''foram produzidos por empresa particular e não pela Justiça Eleitoral''. De acordo com ele, as urnas eletrônicas foram introduzidas em 1996 no Brasil, e até 98 era permitida a produção de simuladores para treinamento dos eleitores. O equipamento foi proibido sob o argumento de que ''induzia'' os eleitores a votar em determinado candidato. ''Na época em que eram permitidos, surgiram empresas para produzir os simuladores. Os equipamentos encontrados na fazenda foram adquiridos assim.''
Segundo o juiz eleitoral, se o equipamento não foi utilizado após 98, não ficará configurada qualquer irregularidade. Ontem à tarde, Mário Azzolini apresentou os simuladores à imprensa. Em razão do péssimo estado de conservação, ele não acredita que estivessem em uso.
''Não há indicativo nesse sentido. Vamos enviar os computadores para perícia e aguardar o resultado do inquérito. Precisamos esclarecer com rapidez como os computadores foram levados à fazenda e se realmente não estavam sendo utilizados.'' Segundo o juiz, não está descartada a hipótese dos simuladores terem sido introduzidos no local pelo grupo de sem-terra que invadiu a fazenda na última sexta-feira.
O promotor eleitoral, Sérgio Siqueira, disse que não há peritos locais para vistoriar o equipamento e que foram requisitados profissionais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. ''Isso pode ser uma infração administrativa, se foi usado no período de proibição, ou nada. Acho que é muito fogo de palha.''
A Polícia Federal (PF) deve instaurar inquérito nesta semana para apurar o caso.
A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Segurança Pública informou que recebeu ontem cópia do mandado de reintegração de posse -expedido na sexta-feira pela Justiça. Segundo a assessoria, será realizado um mapeamento do local para elaboração do plano de despejo. A Secretaria afirmou ainda que a fazenda do deputado não é a única à espera de reintegração de posse - mas não soube dizer quantas propriedades estão à espera de força policial para cumprimento de medida judicial.

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