Simpatizantes de Belinati montam aparato profissional
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quarta-feira, 21 de junho de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
Os integrantes do movimento Legalidade, que defende Antonio Belinati, montaram uma estrutura profissional para acompanhar a sessão na Câmara. Dois caminhões de som do tipo utilizados em comício foram contratados. O palco na carroceria do veículo serviu tanto para apresentação de shows de pagode como para discursos de lideranças de bairro. Música e discursos não faltaram para desespero dos vizinhos.
A movimentação dos belinatistas começou logo às 6h30 da manhã, quando um dos caminhões de som estacionou em frente à rampa de entrada do prédio da Câmara. Lá, cerca de 100 manifestantes cantaram o Hino Nacional e o ex-secretário de Administração da Prefeitura, Marcos Colli, leu um manifesto intitulado Ao povo de Londrina, em defesa de Belinati.
(A população) não vai mais tolerar que esta meia dúzia de grã-finos que sequer foram eleitos continue propagando inverdades, ameaçando e perseguindo inocentes e injuriando publicamente famílias inteiras, diz trecho do manifesto, referindo-se a família Belinati.
Além do manifesto, a ex-chefe de gabinete de Belinati, Sandra Graça, assumiu o microfone para defender o prefeito afastado. Em plena campanha para uma vaga na Câmara dos Vereadores, Graça voltou a se dirigir ao grupo rival Movimento pela Moralização da Administração Pública como grã-finos. Um pouco mais tarde, já em frente ao estacionamento da Câmara, ela discursou falando sobre a música Cidadão, de José Geraldo: Nós vamos respeitar vocês, grandalhões, porque as urnas vão dar a resposta. Porque aqui é a rádio do povo! disse, no melhor estilo de animadora de auditório.
Também em frente ao estacionamento, o grupo pôde tomar café da manhã leite e pão e almoçar, por volta do meio-dia. Segundo Colli, um empresário da cidade, que não estaria querendo se identificar, doou cerca de 2 mil marmitas ao movimento: arroz, feijão, macarrão e dois tipos de carne e linguiça. Não sei o valor nem onde foi comprado o material porque é o outro pessoal que está cuidando disso. Mas é tudo doação, assegurou.
Para a Polícia Militar que armou um esquema rígido de segurança para evitar tumulto houve pouco trabalho. O único problema foi durante a manhã, quando o grupo pró-Belinati quis ficar próximo do pessoal da Moralização. Temendo confronto, a PM impediu o que provocou protesto de Sandra Graça ao capitão Altivir Cieslak. Quero saber os critérios para distribuir o espaço. Nosso pessoal queria apenas ficar próximo do acesso dos vereadores, justificou. O pedido foi negado para que a segurança fosse preservada.
Com um aparato técnico menor e mais modesto do que o do grupo pró-Belinati, os integrantes do Moralidade chegaram à Câmara para acompanhar a sessão extraordinária de ontem ainda na noite de terça-feira. Foi realizado um culto ecumênico no local, por volta das 21 horas, e apresentação de música gospel. O grupo passou a noite dentro de um ônibus.
De manhã, um equipamento de som divulgava jingles pedindo a cassação do prefeito afastado entre eles uma paródia do grupo baiano As Meninas, cuja letra dizia: E o motivo todo mundo já conhece, é o dinheiro que some e nunca aparece. Diga não à corrupção!
Antes de saber que a sessão ia madrugada a dentro, a idéia do movimento era continuar na Câmara, em vígilia permanente. Vamos ficar independentemente do tempo, garantiu o advogado Roberto Scalassara, coordenador do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina.
Ainda segundo ele, a presença ostensiva do grupo pró-Belinati, com dois caminhões de som, não intimidava ou constrangia os integrantes do Moralidade. Pelo contrário, demonstra que o dinheiro está do lado de lá, e não do nosso lado, disse.


