Simon sofre entre deixar base e ir para a oposição
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sábado, 16 de junho de 2001
Silvio Bressan Agência EstadoDe Brasília 
Sair do governo sem ir para a oposição. Declarar-se amigo do concorrente Itamar Franco, mas deixar claro algumas diferenças. Aliviar a situação do presidente do Congresso, Jader Barbalho, ao mesmo tempo em que pede rigor na investigação. Esse é o caminho alternativo que o pré-candidato do PMDB à Presidência, o senador Pedro Simon (RS), encontrou para se equilibrar no delicado fio entre o governismo da cúpula do partido e o radicalismo do governador de Minas, e também presidenciável, Itamar Franco.
Podemos sair do governo, entregar os cargos e votar com independência, mas não precisamos ir para a oposição sistemática, propõe Simon. Se nós vamos para a oposição para desestabilizar o governo, sinceramente não sei aonde o governo vai parar. Apesar de ser um crítico duro do governo, a ponto de ajudar a derrubar ministros com seus inflamados discursos, Simon agora parece jogar na retaguarda para se diferenciar do radicalismo de Itamar. Vamos mostrar que temos independência, mas é preciso também responsabilidade para não deixar o governo com minoria, diz.
O contrário, alerta Simon, pode servir mais para a esquerda ou até para interesses escusos. Não vamos sair por aí para querer derrubar o governo, porque isso pode desestabilizar uma administração que já não tem muita firmeza, justifica. Amanhã vem uma crise por aí e o PT vai querer a renúncia do presidente, o que pode ser sinal de golpe. Isso não beneficiaria a ninguém.
Além de tentar esclarecer essa distinção de propostas, Simon também procura mostrar que ele e Itamar, hoje o maior adversário do Planalto, têm atitudes divergentes. Temos muitas identidades, mas também acho que alguns princípios são diferentes, ressalta. Para o parlamentar gaúcho, Itamar avança demais o sinal nas críticas às privatizações e na defesa do nacionalismo.
Eu acho que precisa ter base jurídica, precisa ter debate. E o Itamar é mais incendiário, gosta de medidas mais ousadas, anota o senador. Ele manda a PM cercar Furnas ou a fazenda do presidente, uns gestos que não fazem o meu estilo. Também na escolha dos auxiliares, Simon acha que há outras nuances. Eu governo mais com os homens, indiferente de serem meus amigos ou do meu Estado. Ele já tem mais ligações pessoais: ou gosta ou não gosta.
Convicto de que, na convenção de setembro, o partido optará mesmo por um candidato próprio para 2002, Simon quer desde já estabelecer parâmetros diferentes daqueles defendidos pelo grupo de Itamar. Ali estão aninhados políticos como o vice-governador de Minas, Newton Cardoso, e o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, que defendem uma oposição radical ao governo.


