Brasília - O senador gaúcho Pedro Simon registrou ontem sua candidatura à presidência da República pelo PMDB, tendo como candidato a vice o ex-governador Anthony Garotinho. Mas uma decisão tomada pelo Executiva Nacional do partido, no mesmo local e logo em seguida, praticamente inviabiliza a candidatura própria no partido: por 11 votos a 5, a Executiva adiou para o dia 29 de junho a convenção nacional para a oficialização ou não da candidatura própria.
O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), tinha marcado a convenção para o dia 11 de junho. Mas a estratégia dos setores do partido que são contrários à candidatura própria, ao adiar a convenção, é exatamente o de esvaziar o encontro, já que, a esta altura, os estados já terão feito suas convenções estaduais, estabelecendo alianças com partidos diversos (PT, PSDB e PFL, por exemplo) e diante desse quadro consolidado nos estados, o PMDB não poderá ter candidato próprio à Presidência, por causa da regra da verticalização.
E é justamente com base na regra da verticalização que os defensores da candidatura própria irão à Justiça para tentar manter a convenção nacional no dia 11 de junho. O argumento será o de que, para atender à verticalização, a convenção nacional deve ser obrigatoriamente anterior à dos estados. O próprio Michel Temer, um dos cinco votos contra a mudança da data, alertou a Executiva de que a decisão é prejudicial ao partido nos estados.
A reunião da Executiva durou quase duas horas, com troca de agressões e insultos de lado a lado. A governadora do Rio, Rosinha Garotinho, acusou o senador Ney Suassuna (PMDB-AL) e os governistas de estarem dando um golpe. ''A gente precisa parar com essa hipocrisia. Vocês querem se cacifar para ter cargos no governo federal'', disse.

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