Simon quer trégua entre estados e União
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) sugeriu ontem uma trégua na discussão das dívidas dos Estados com a União. De acordo com ele, os dois lados devem ceder, com os governadores abrindo mão das ações judiciais e o presidente Fernando Henrique Cardoso suspendendo a retenção de verbas estaduais que vem afetando especialmente Minas Gerais.
Para o senador, o governador mineiro, Itamar Franco (PMDB), deve ir ao encontro dos governadores com Fernando Henrique no dia 26. Ele não perde nada em comparecer e pode aproveitar para pedir a palavra e defender seu pensamento, evitando uma postura de isolamento, de acordo com Simon.
O que está na hora de fazer é sentar à mesa e encontrar, caso a caso, com o presidente, uma fórmula para resolver a questão, comentou o senador gaúcho.Na opinião de Simon, Itamar estava certo quando tentou adiar a reunião dos governadores de oposição, realizada dia 5, em Porto Alegre, para depois da audiência marcada entre o grupo e Fernando Henrique Cardoso, dia 9.
Segundo o senador, os governadores de oposição marcaram a reunião na capital gaúcha para o dia 5 porque acreditavam que, até então, teriam sido recebidos pelo presidente. Como a audiência presidencial foi definida para quatro dias depois, a lógica seria transferir o encontro na capital gaúcha para depois disto. A divulgação da Carta de Porto Alegre, com reinvindicações antecipadas do grupo oposicionista, entretanto, levou Fernando Henrique a cancelar a audiência e os governadores foram recebidos por três ministros.
PMDB - Lideranças do PMDB pretendem aproveitar os dias que antecedem a reunião marcada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso com todos os governadores, no dia 26, para convencer o governador mineiro Itamar Franco (PMDB) a negociar com o governo federal. A expectativa é conseguir, ao menos, que Itamar Franco envie um representante para a reunião na Granja do Torto.
Nós faremos um novo esforço nesta semana e na próxima, temos muita esperança nessa reunião, afirmou o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP). Se o governador não puder ir, mas aceitar enviar um representante, já será muito bom, acrescentou. A idéia, informou o deputado paulista, é aproveitar a vinda do governador ao Senado, que poderá acontecer no dia 22, para mais uma conversa conciliatória. Ele virá para um encontro com a bancada do partido e, então, poderemos tentar o entendimento, disse Temer.
Depois do fracasso do encontro do governador com os ministros do PMDB na semana passada, iniciativa apoiada pelo presidente Fernando Henrique, o desafio de selar o entendimento foi transferido para o presidente nacional do PMDB, senador Jader Barbalho (PA). Nós cumprimos a nossa missão, agora o Jáder poderá fazer alguma coisa, disse o secretário de Políticas Regionais, Ovídio de Angelis, que integrou a missão de paz enviada pelo Palácio do Planalto à capital mineira.
Segundo ele, o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, foi incumbido de fazer ao presidente do PMDB um resumo da reunião de sexta-feira e pedir-lhe que retomasse as negociações com Itamar Franco. A reunião com o Itamar foi boa, embora não tenhamos conseguido avançar na reaproximação com o presidente, disse o secretário. Mas eu torço para que ele vá à reunião, pois a ausência de Minas será sentida.
Segundo Michel Temer, é cada vez maior a preocupação com o desfecho do impasse criado pela moratória decretada em janeiro, como demonstrou o vice-governador de Minas, Newton Cardoso, duante conversa na terça-feira de carnaval. Ele está preocupado e também deseja uma reaproximação com o governo, contou Temer.


