Curitiba - O esquema de evasão de divisas e lavagem de dinheiro no Brasil voltou a ser palco de discussões no Congresso Nacional com a descoberta que dirigentes do PT mantinham contas em paraísos fiscais através de doleiros e usavam estes recursos para o pagamento de verbas publicitárias para campanhas eleitorais. Por conta das novas denúncias, a Polícia Federal (PF) já informou que irá cruzar as denúncias que estão sendo investigadas pelas Comissões Parlamentares de Inquérito que tramitam no Congresso Nacional (Mensalão, Correios e Bingos) com os dados do inquérito sobre o Banestado.
O publicitário Marcos Valério foi chamado para depor na PF, no caso Banestado em 2003, por conta de movimentações financeiras feitas na empresa americana Beacon Hill. Ontem, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) informou que solicitou a abertura oficial dos arquivos da CPMI do Banestado para o levantamento de todas as movimentações financeiras ocorridas entre 1996 e 2003, através das chamadas contas CC-5 (criadas inicialmente para beneficiar os brasileiros não residentes no País). ''Hoje nos parece muito mais suspeito o fato de o relator José Mentor, que era do PT, ter escondido os dossiês e evitado a divulgação de fatos que pudessem incriminar integrantes do governo ou aliados. Todas as contas precisam aparecer e as CPIs do Congresso Nacional serão competentes em fazer agora as análises que deveriam ter sido feitas há mais de um ano'', ponderou Simon, que esteve ontem em Curitiba.
Somente as movimentações financeiras de remessas de dólares para fora do País teriam alcançado a soma de US$ 30 bilhões entre abril de 1996 e março de 1999. ''A Justiça dos Estados Unidos enviou à época para a CPI do Banestado mais de 30 caixas com documentos que podem auxiliar nas investigações, que lá eram levadas a sério'', disse. Simon considera que nunca se viu tamanha corrupção no Brasil. Ele comparou a era Collor e a Lula dizendo que no governo Collor a corrupção estava nos arredores do Palácio do Planalto, mas do lado de fora. Já na era Lula, a corrupção estaria dentro do governo e do próprio partido político que elegeu o presidente da República.
''Acho que é melhor que o fim seja diferente do de Collor. Prefiro Lula e o PT como réus do que como vítimas. É hora de investigar o PT e seu governo. Dos fundos de pensão às estatais mais poderosas como a Petrobras'', disse ele. O governador Roberto Requião lembrou que a corrupção e a lavagem de dinheiro no Brasil sempre teve o aval do Banco Central.
''Levantei as contas CC-5 com o procurador da República, Celso Três. A coisa está muito pior agora. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, liberou geral a entrada e a saída de dólares do Brasil. A tese é que o capital internacional vendo o Brasil oferecendo as abundâncias para o mundo traga investimentos industriais que não vão vir. Vão vir os investimentos financeiros, as especulações financeiras. O governo federal fez tudo o que as bancas queriam. Temo que o sucesso da economia brasileira contamine as CPIs do Congresso Nacional'', complementou o governador Roberto Requião (PMDB).

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