Rosa Costa
Agência Estado
De Brasília
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) justificou ontem sua intenção de percorrer o País como sendo uma campanha voltada para a conscientização do partido e da população e negou que seja uma tentativa de se eleger sucessor do presidente Fernando Henrique. Ele explicou que tomou a decisão no domingo, durante congresso extraordinário do PMDB, no Rio Grande do Sul, quando o nome dele foi lançado como candidato a presidente da República. Simon reconheceu que terá dificuldade em se eleger porque não vai buscar apoio e nem restringir o debate de temas importantes para o País. ‘‘Não sei se vou virar um D. Quixote’’, afirmou.
‘‘O que eu quero é que me dêem uma tribuna para que eu possa dizer qual é o caminho do partido e do Brasil.’’ O senador deixou claro que, apesar de admirar o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ter como um homem íntegro e competente, pretende tornar-se um expoente da insatisfação popular. Dessa forma, tornar públicas situações que considera inaceitáveis, como a impunidade e o aumento da pobreza no País. ‘‘Não podemos mais olhar para uma sociedade em que 30 milhões de pessoas passam fome’’, protestou.
‘‘Esperar o País crescer para começar atender o social é o mesmo que voltar a 1964.’’ Para Simon, os colegas do PMDB gaúcho propuseram-lhe um desafio e ele aceitou. ‘‘Sou uma pessoa sem ambição, inflexível nos meus princípios’’, afirmou. ‘‘Se tiver oportunidade de expor minhas idéias, muitas delas polêmicas, irei fazê-lo.’’
Simon disse que tem divergências com Fernando Henrique, sobretudo quanto à privatização das estatais e sobre o modelo econômico adotado que, ao invés de diminuir o déficit fiscal, tem-no aumentado ‘‘extraordinariamente’’, principalmente por causa das altas taxas de juros.
O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), reconheceu que Simon tem todos os atributos para ocupar o cargo de presidente da República. ‘‘Ele tem experiência política, administrativa e credibilidade’’, afirmou. Mas lembrou que a candidatura dele foi colocada pelo PMDB do Rio Grande do Sul e não pela executiva nacional do partido, o que só deve ocorrer em 2002.

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