Brasília - Forçado a se licenciar do cargo de presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) sofreu ontem outra derrota. Uma semana depois de destituir os senadores Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o líder do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), recuou e pediu que eles reassumam os cargos. A decisão coincidiu com a mudança na situação de Renan, responsabilizado pela represália contra dois colegas que encabeçam o coro para que ele renuncie à presidência da Casa. Em sete dias, além de sofrer pressões do governo e da Executiva do partido, Renan foi abandonado pela maior parte dos 46 aliados que votaram, no plenário, pela sua absolvição no julgamento do primeiro processo que responde no Conselho de Ética.
Raupp comparou a ''reconvocação'' de Simon e Vasconcelos a um gesto de ''humildade'' da sua parte. ''Conversando com a grande maioria dos senadores da bancada, resolvi conversar com os senadores'', alegou. Ele procurou Simon em seu gabinete e de lá mesmo falou por telefone com Vasconcelos. Os senadores vão aceitar o convite, desde que o retorno à CCJ não esteja condicionado a expectativas sobre a forma como deverão agir daqui para frente. ''Os fatos contribuem a chegar a um entendimento, mas não pode haver nenhum tipo de arranjo neste retorno'', frisou Simon. Vasconcelos lembrou que dedica à CCJ, em que tem ocupado relatorias de matérias importantes, mais da metade do seu tempo de trabalho no Senado. Mas assegurou que não aceitará ''condicionantes''. ''Dessa forma, manteremos a nossa postura de independência e correção, na certeza de que este é o caminho a ser seguido'', afirmou.
A iniciativa de Raupp se deu depois que o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, com quem conversou três vezes esta semana, e figuras da proa do PMDB, como o senador José Sarney (AP), e o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), terem mostrado a inabilidade da medida patrocinada por Renan. Temer ameaçou levar a substituição dos senadores na CCJ ao Conselho Nacional do PMDB. Mares Guia mostrou que as substituições na Comissão por um dos principais defensores de Renan - o senador Almeida Lima (PMDB-SE) - e por um segundo suplente sem experiência para ocupar o cargo - o senador Paulo Duque (PMDB-SE) - contaminaria o ambiente, a ponto de inviabilizar a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Recusando-se a assumir que foi pressionado, Raupp apontou entre os motivos que o levaram a recuar da decisão a desistência dos líderes do bloco da maioria em trocar alguns nomes da CCJ. Sem entrar no mérito da iniciativa, outros senadores de Rondônia atribuem a decisão de Raupp à reação ocorrida em seu Estado, a ponto de comprometer suas aspirações de voltar a governá-lo.

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