Um dos signatários da Comissão Parlamentar de Inquérito que vai investigar o Poder Judiciário, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse ontem, em aparte ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que tem sérias dúvidas sobre o funcionamento da CPI.
Ele questionou o que ocorrerá quando um magistrado - como o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Humberto Manes, que já disse que não aceitará a comissão - for convocado. A dúvida do senador é se será possível usar o poder de polícia concedido às CPIs para obrigá-lo a comparecer. ‘‘A situação fica ainda mais complicada se o desembargador tiver em mãos um parecer do Judiciário embasando sua decisão’’.
Simon disse que sabe como a CPI irá começar mas que não sabe como é que ela vai terminar. Segundo ele, há quem receie que a investigação de um poder sobre o outro leve à ‘‘fujimorização’’ do País, como ocorreu no Peru, quando o presidente Alberto Fujimori fechou o Congresso e mudou a Constituição. ACM respondeu que a CPI vai funcionar sem confrontos. ‘‘Será uma coisa digna do Congresso’’, disse.
Segundo o senador baiano, a comissão não entrará nas atribuições próprias do Judiciário, mas, sim, ‘‘no superfaturamente no custo de obras, o roubo e a morosidade da Justiça’’.
Já o vice-líder do PT, senador José Eduardo Dutra (SE), lembrou ao presidente do Senado que o nepotismo que a CPI vai investigar também é praticado no Senado. Segundo ele, isso teria sido evitado se a Câmara já tivesse votado o projeto do senador Roberto Freire (PPS-PE) proibindo essa prática.

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