Nelson Breve
Agência Estado
De Brasília
O pré-candidato à presidência da República pelo PMDB, senador Pedro Simon (RS), disse ontem, da tribuna do Senado, que o presidente Fernando Henrique Cardoso foi muito ‘‘infeliz’’ ao escolher o empresário Alcides Tápias para o Ministério do Desenvolvimento. Simon questionou a sensibilidade social do empresário e disse que a indicação foi inoportuna pelo fato de Tápias ter sido executivo do Bradesco e da empreiteira Camargo Corrêa.
O senador lembrou que o Bradesco foi apontado na CPI dos Precatórios como um banco que participava da chamada ‘‘cadeia da felicidade’’ comprando os títulos emitidos irregularmente. Disse também que, segundo informações de um senador paulista, ‘‘que não é Eduardo Suplicy’’, 80% do Produto Interno Bruto Brasileiro é transportado em estradas controladas pelo grupo Camargo Corrêa e que esse grupo, sob a administração de Tápias, entrou no setor elétrico com financiamentos do BNDES, que é controlado pelo Ministério do Desenvolvimento.
Simon afirmou ainda que como presidente da Febraban, Tápias questionou judicialmente a CPMF e a obrigatoriedade de se dar informações sobre essa contribuição à Receita Federal. Segundo o senador, Tápias foi ‘‘convocado’’ pelo presidente para ser o ‘‘algodão entre cristais, para mostrar que o Malan não é o tal, que ganhou, mas não levou’’.
No discurso que fez ontem no Senado, Simon disse que FHC deveria ter escolhido uma pessoa de projeção nacional, de credibilidade e respeitabilidade nacional. O senador lembrou os fatos que conduziram o presidente ao Ministério da Fazenda, após a renúncia do então ministro Eliseu Rezende, e elogiou o ex-presidente Itamar Franco por não ter ido buscar um banqueiro ou empresário e sim um sociólogo de esquerda.
Segundo o senador, Itamar teve arrojo e o presidente deveria seguir o mesmo caminho, principalmente no momento em que está com baixa popularidade e convocando os ministros para a guerra. ‘‘Estou assustado. Guerra contra quem?’’, questionou. ‘‘Guerra para calar a boca’’, respondeu.
Segundo Simon, o presidente deve pensar que não existe outra pessoa igual a ele próprio para nomear para o ministério. Ele lembrou ainda que o que Itamar mais gostava, no exercício da presidência, era dizer ‘‘não’’ quando o ministro da Fazenda já tinha dito ‘‘sim’’.

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