Simões responde por desvio de salário de fantasma
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Catarina Scortecci<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Os desembargadores que integram o órgão especial do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná receberam denúncia do Ministério Público (MP) do Paraná contra o deputado estadual Carlos Simões (PR) por crime de peculato. Simões foi denunciado porque teria desviado salário de uma funcionária ''fantasma'' da Assembléia Legislativa, entre 17 de junho de 1999 e 17 de maio de 2000. Sua esposa, Adriana Rosana Moreira Cruz, e o seu sogro, Geraldo Silva Cruz, que trabalhavam no gabinete de Simões naquela época, também foram denuciados pelo mesmo crime. O Ministério Público Federal (MPF) começou a investigar o suposto crime em 2003, mas, naquele mesmo ano, o caso foi transferido ao MP do Estado. A denúncia foi oferecida em 2005 e aceita pelo TJ, por unanimidade, no último mês de abril.
Consta na denúncia do MP que, no segundo semestre de 1998 (data não precisada nos autos), Fátima Teresa Schmith, que cumpria expediente no horário das 10 horas às 16h45 em um banco, procurou por sua conhecida Adriana Rosana Moreira Cruz, que sabia ser cônjuge do deputado estadual Carlos Simões. Fátima perguntou a ela se seria possível conseguir um emprego de meio expediente. Naquele momento, Adriana pediu cópias da carteira de identidade e do cadastro de pessoa física (CPF) de Fátima, ''no que foi prontamente atendida''. Dias depois, Fátima foi informada por Adriana que o parlamentar disse que não seria possível sua contratação.
No ano de 2002, ainda segundo denúncia do MP, Fátima foi surpreendida com correspondência da Receita Federal, na qual constava que estava retida sua declaração de imposto de renda (IRPF) referente ao ano 2000 (ano base 1999), relativo a um rendimento oriundo da Assembléia Legislativa, pouco superior a R$ 16 mil (valor da época). Pelo fato de nunca ter trabalhado no Legislativo, Fátima buscou providências junto ao MPF, que daí instaurou um procedimento administrativo. Os salários da ''fantasma'' foram depositados na conta corrente do sogro de Simões, Geraldo Silva Cruz. O número da conta corrente, segundo o MP, teria sido passado para a Assembléia Legislativa por indicação do parlamentar.
Ao ser notificado da investigação, ainda quando se realizavam diligências, Simões teria alegado que ele mesmo instalou uma comissão de sindicância para apurar os fatos envolvendo a nomeação irregular. A informação consta no acórdão do órgão especial do TJ. A comissão de sindicância teria concluído que os fatos decorreram da culpa do funcionário Geraldo Silva Cruz, que teria trocado a documentação que deveria ser enviada para nomeação de outra pessoa para o cargo. Apesar daquela explicação, em abril o órgão especial do TJ entendeu que ''há indícios de autoria em relação aos três denunciados''.
O advogado de Simões, Antônio Carlos de Andrade Vianna, afirmou ontem à Reportagem que o parlamentar nega ter cometido qualquer irregularidade. Vianna, contudo, reclama da dificuldade em obter provas. ''Estamos correndo atrás de documentos de 1999''. A Reportagem não conseguiu contato com os três denunciados pelo MP. Simões não atendeu o celular. A Reportagem também esteve ontem à tarde no plenário da Assembléia Legislativa, onde Simões foi chamado por duas vezes para uma entrevista, mas não houve retorno.


