Arquivo FolhaCarlos Simões: 96 mil votos em 96O deputado estadual Carlos Simões deve ser o primeiro parlamentar a desencadear a ‘revoada’ tucana planejada pelo governador Jaime Lerner (PFL) para enfraquecer o PSDB do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias. Simões conversou ontem com o presidente nacional do PTB, senador José Eduardo de Andrade Vieira, e acertou os detalhes da sua filiação ao partido, que já manifestou apoio antecipado à reeleição de Lerner.
O anúncio oficial da troca partidária pode ocorrer ainda hoje. Simões, que pretendia assinar a ficha de filiação ontem mesmo, leva o irmão, o vereador de Curitiba Íris Simões, para o PTB. A família Simões é campeã em votos e ao contrário das disputas anteriores, quando era oposição, passa a integrar o grupo de sustentação do governador Jaime Lerner. Carlos Simões foi o ‘n º 1’ em 94, com os seus 96 mil votos. Íris Simões, o vereador mais votado na disputa de 96. Fez cerca de 25 mil votos.
O deputado não quis comentar ontem a sua decisão. Evitou dar entrevistas para os jornalistas e saiu pelo elevador privativo da Assembléia no meio da sessão. Antes de oficializar a decisão, o deputado quis voltar a conversar com o senador José Eduardo. ‘‘Eu ainda não posso dizer nada. Mas a minha decisão será tomada através de uma nota’’, resumiu.
Arquivo FolhaÍris: vereador acompanha o irmão
O presidente estadual do PTB, secretário da Indústria e do Comércio Nelson Justus, dava como certa a entrada de Simões. Ele, o secretário da Agricultura Hermas Brandão, e o líder do governo Valdir Rossoni reuniram-se com Lerner no início da noite, no Palácio Iguaçu, para definir uma estratégia que apresse a ‘revoada’ tucana.
A decisão da família Simões caiu como uma ‘luva’ para os planos do governador. A intenção agora é reforçar o ‘assédio’ aos demais tucanos. Ricardo Chab, Cesar Silvestri, Beto Richa e Albanor Gomes estariam ainda condicionando a sua filiação ao PTB. Silvestri disse ontem que a sua situação continua a mesma e que aguarda os demais deputados da bancada para tomar posição.
A maioria dos deputados admite, no entanto, que precisa definir seu futuro partidário até o próximo dia 15, sob pena de não poder se defender em eventuais pedidos de impugnação contra suas filiações. ‘‘Eu quero uma posição em grupo e o momento é bastante delicado. Estamos pensando bem para não nos precipitar’’, avalia Ricardo Chab.
Os planos de Lerner não conseguiram ‘seduzir’ os deputados José Maria Ferreira, Sérgio Spada, Antonio Anibelli e Edson Silva Lino. Ferreira e Spada não arrecadam o pé do PSDB. Anibelli não descarta a possibilidade de se transferir para o PMDB e jamais aceitaria ir para um partido aliado ao do governador. Silva Lino já anunciou que se sair do PSDB vai para o PPB. Ele quer garantir uma ‘dobradinha’ com o presidente do partido, deputado federal José Janene, que também disputa a reeleição em 98.

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