Silvio Pereira nega conhecer mensalão
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terça-feira, 19 de julho de 2005
Folhapress 
Brasília - Em depoimento à CPI dos Correios, o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira atribuiu ontem a responsabilidade pelas finanças do partido ao ex-tesoureiro Delúbio Soares e afirmou desconhecer o repasse de empréstimos bancários do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza para a sigla. Ele também disse desconhecer o ''mensalão''. ''Nunca ouvi falar desse assunto.'' À Procuradoria Geral da República, na semana passada, Marcos Valério afirmou que ouviu de Delúbio Soares que tanto Silvio Pereira quanto o ex-ministro José Dirceu tinham conhecimento dessa operação, da ordem de R$ 39 milhões.
Primeiro petista a depor na CPI dos Correios, Silvio Pereira admitiu que fez indicações a cargos, mas que as nomeações eram sempre de responsabilidade do governo. Mesmo sabendo das dificuldades financeiras por que passava o partido, o ex-secretário-geral afirmou que seu conhecimento sobre o saneamento das dívidas se limitava ao fato de Delúbio estar buscando recursos na rede bancária.
''No PT as decisões são coletivas e as responsabilidades, individuais'', afirmou Silvinho, como é conhecido, ressaltando que sua função era apenas político-eleitoral. Silvio foi o responsável durante muitos anos pelo Grupo de Trabalho Eleitoral do PT e sempre foi ligado ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.
Apesar de não ter cargo no Executivo, Silvinho admite que era procurado por empresários para tratar de questões de governo, embora negue ter dado encaminhamento a esses pleitos. ''Nunca fiz mediação de interesses de empresários no governo'', disse ele, que se encontrou, por exemplo, com um dos sócios da Skymaster, Luiz Otávio Gonçalves. Essa empresa é acusada de ter superfaturado contrato com os Correios.
O ex-secretário-geral afirmou que coordenava as indicações do PT para o governo federal, tentava resolver divergências entre os petistas e os aliados em torno dos cargos e ainda cobrava o cumprimento de acordos firmados entre o Palácio do Planalto e sua base de sustentação. Esse trabalho começou, segundo ele, no governo de transição, quando a pedido do secretário de Comunicação do Governo, Luiz Gushiken, montou um banco de dados com cerca de 5.000 cargos de confiança. ''As pessoas passaram a me procurar no Parlamento e nas ruas achando que aquilo era um processo seletivo'', disse Silvinho, segundo o qual o PT ficou com aproximadamente 1.400 desses postos.
Silvinho afirmou ter sido apresentado a Marcos Valério em 2003, no PT, por Delúbio, e ele tinha interesse em fazer campanhas eleitorais do partido. Segundo o ex-secretário-geral, sua relação com Valério terminou com divergências em torno da estratégia de marketing nas campanhas das prefeituras paulistas de Osasco e São Bernardo do Campo. ''Optamos por contratar a agência de Duda Mendonça'', disse ele.
Durante todo o depoimento o ex-secretário-geral procurou poupar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e chegou a dizer que não o vê ''há anos''. O depoimento, que começou às 10 horas, não havia terminado até o fechamento desta edição.


