Silveirinha se diz inocente
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2003
Wilson Tosta<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro O ex-subsecretário de Administração Tributária do Rio Rodrigo Silveirinha Corrêa, acusado de participação em desvio de US$ 33 milhões para a Suíça, admitiu ontem que, no cargo, controlou parte importante da estrutura da Secretaria da Fazenda e examinou multas canceladas.
Em entrevista por fax ao jornal ''O Estado de S.Paulo'', ele reafirmou ser inocente das acusações e defendeu a Inspetoria de Contribuintes de Grande Porte, criada no governo de Anthony Garotinho (PSB) e na qual teriam ocorrido as extorsões contra contribuintes que pagaram propinas milionárias para não serem multados.
''(Eu) não interferia na lavratura de autos de infração (multas)'', afirmou o ex-subsecretário, que é acusado de ter US$ 8,9 milhões depositados ilegalmente na Suíça. ''Quanto ao cancelamento, apreciava os recursos de ofício, oriundos da Junta de Revisão Fiscal. Ou seja, quando a Junta cancelava determinado auto de infração, essa decisão era encaminhada a mim para provimento.''
Silveirinha não respondeu a algumas perguntas: quem o levou para o grupo de transição de governo em 1998; de quem foi a idéia de criar a Inspetoria de Contribuintes de Grande Porte; se havia alguma experiência anterior que a justificasse. Foi lacônico quando abordou seu relacionamento com Garotinho e sua mulher, a governadora Rosinha Garotinho ''foi de ordem técnico-profissional'', afirmou e considerou ''um absurdo'' a acusação de que tem contas fora.
Seu nome, afirmou, foi indevidamente usado por alguém para abrir a conta com ''milhões de dólares'' que ''nunca foram'' seus. ''Na Secretaria de Fazenda, só ocupei o cargo de subsecretário-adjunto de Administração Tributária'', relatou. ''Compete ao subsecretário coordenar e supervisionar a Superintendência de Fiscalização, Tributação, Cadastro e Informações Econômicos-Fiscais, Junta de Revisão Fiscal.''
''A criação da Inspetoria de Contribuintes de Grande Porte prosseguiu Silveirinha onde foram lotados cerca de 100 fiscais de renda selecionados entre os mais preparados dentre os quadros da Secretaria de Fazenda, foi uma das medidas administrativas que resultaram na obtenção do crescimento da receita em três anos. Passamos a arrecadação, que era de cerca de R$ 500 milhões por mês, para mais de R$ 800 milhões mensais.''
A inspetoria foi extinta no ano passado, pelo governo de Benedita da Silva (PT), acusada de ineficiência. Ironicamente, o ex-governador Garotinho, na época, protestou e acusou o governo petista de estar recriando o ''varejo'' na fiscalização de tributos uma insinuação para corrupção. A nova governadora, Rosinha Garotinho, a recriou logo após assumir o mandato.
Em tom de indignação, Silveirinha afirmou que jamais abriu ou autorizou que outra pessoa abrisse em seu nome conta em banco no exterior ou em banco estrangeiro com filial no Brasil. ''Se, de repente, aparece uma conta aberta na Suíça, em meu nome, sem minha autorização, sem meu conhecimento e com milhões de dólares que não são nem nunca foram meus, só posso pensar que alguém usou meu nome indevidamente. Com que propósitos, não sei.''


