Silêncio foi estratégia de marketing, diz Sidney de Souza
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quinta-feira, 03 de julho de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Três meses após a divulgação das suspeitas de irregularidades na aprovação da lei que beneficiou a boate erótica Shirogohan, o presidente da Câmara Municipal, Sidney de Souza (PTB), aceitou falar sobre o assunto. Nesse período, se transformou num dos principais suspeitos de exigir propina do empresário Claudemir Medeiros - e foi indiciado no inquérito policial juntamente com oito colegas e ex-colegas. A seguir, as principais declarações de Sidney.
FOLHA - Como vê o indiciamento com base na acusação do empresário?
Sidney - Estamos aceitando com muita normalidade e, no momento oportuno, vamos apresentar a defesa. Com relação à fala do empresário: qual delas é a verdadeira? Aquela que diz que não houve propina? Quais os motivos que o levaram a mudar o depoimento? O que posso dizer é que ele mentiu muito nessa história de dizer que liguei para ele e estabeleci a história do pedágio.
E a sugestão do churrasco com as autoridades?
Não fiz a sugestão. Ele é que promoveu. Eu fui. Ali, ele explicou, junto com seu advogado, o que ele pretendia.
Depois disso, ele diz que o senhor passou informá-lo do andamento do projeto.
Não tem esse negócio.
Se o sigilo telefônico for quebrado, não haverá essas ligações?
Tratando desse assunto, de jeito nenhum.
Houve ligação para outro assunto?
Ele me ligou para convidar para o churrasco. Não sei precisar se foi uma, duas ou três vezes. Mas nenhuma vez para estabelecer um ''pedágio''.
O empresário diz que o senhor cobrou a propina em nome de outros vereadores - e que se mostrou nervoso porque os colegas desconfiavam da afirmação de que não ficaria com parte qualquer do numerário. Não é estranho inventar isso?
No direito, isso é chamado de prova diabólica. É como acusar de gay um homem casado, que não é efeminado, e que não é gay. Se é estranho? É, mas tudo é estranho. O Bonilha fala que o pagamento foi feito no churrasco e depois pede para refazer o depoimento e dizer que o (advogado Antônio) Amaral não está (envolvido), porque o Amaral meteu os caras da OAB em cima dele.
O senhor virou contador do dono da boate após tudo isso?
O escritório em que tenho participação fez a abertura e a contabilidade do hotel (motel).
Não há mistura entre sua atuação pública, como vereador, e privada, como contador?
Toda empresa precisa de alvará. Se for assim, nenhum contador pode ser político.
Vereador, um boato corrente nos corredores da Câmara diz que o senhor teria feito uma promessa, há alguns anos, após um drama familiar, de nunca mais se envolver em ''problemas''. Há algo de verdadeiro nisso?
Eu não precisava responder isso, mas estou sendo verdadeiro. Eu fui vereador no tempo do (ex-prefeito Antônio) Belinati e, por ser da bancada dele, votei contrariamente à cassação do seu mandato. Não teve doença na minha família, o que houve foi um problema - superado - de gravidez da minha esposa. E naquele momento eu assumi um compromisso de que nunca mais estaria me omitindo ou sendo conivente com aquilo que não concordasse. Isso aconteceu sim.
No início das acusações contra o Bonilha, houve de sua parte uma certa solidariedade - e até uma visita durante a primeira prisão dele. Hoje, o senhor o trata de bandido para baixo. Por que a mudança?
Nós fomos visitar um vereador preso, que até então não tinha confessado seus crimes. Hoje, não sou eu quem fala que ele é bandido, é ele mesmo quem confessou. E quando os fatos começaram a aparecer, eu poderia perfeitamente ter adiado a votação (da cassação de Bonilha) e poderia ter arrumado um pretexto para adiar a votação da denúncia. Mas eu não me omiti e cumpri com a legalidade.
Por que o senhor evitou falar sobre o caso Shirogohan até hoje?
Você fez disciplina de marketing no curso de jornalismo?
Não, vereador, não existe essa disciplina em jornalismo...
Então está falhando o curso. Porque todos aqueles que entendem de jornalismo na linha de marketeiro me disseram o seguinte: para falar de coisas boas, você dê 300 entrevistas, fale 30 vezes ao dia; quando for para falar de coisa ruim, se puder, fale uma vez só. É isso que estou fazendo.
Sua insistência em permanecer à frente da presidência da Câmara, sob esse monte de denúncias, não faz ''sangrar'' a imagem da Câmara além do necessário?
Quando assumi a presidência, fiz um trabalho para dar transparência e economizei mais de R$ 1 milhão. Eu não vou me sujeitar a ter que abrir mão de um projeto político para a cidade e para a Câmara porque me acusam levianamente. A cidade não pensa assim e não tem aceito essa generalização da corrupção na Câmara.


