Rio de Janeiro - Fosse antes de 2003, o PT não teria faltado ao ato público realizado onte, por PDT, PPS, PSOL, PCB e PSTU na ABI (Associação Brasileira de Imprensa) em prol da ética na política e contra a política econômica vigente. Além da mobilização popular, os representantes dos partidos defenderam uma apuração ampla das denúncias envolvendo esquemas de corrupção no governo e o cumprimento da legislação no sentido de punir os responsáveis.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, foi criticado por ter alertado líderes políticos de que o país ficará ingovernável se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sofrer impeachment. Os representantes dos partidos disseram acreditar que Lula sabia do mensalão.
A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), que participa da CPI dos Correios, disse que nunca o capital financeiro se alegrou tanto com o aprofundamento da política econômica neoliberal. ''Infelizmente o governo Lula pisou no coração dos honestos do Brasil ao entregar a bandeira da ética e da moralidade à mesma elite política e econômica dos partidos de direita'', complementou.
O deputado federal Roberto Freire (PPS-PE) afirmou que não se pode fazer acordo para barrar as investigações e que há uma crise generalizada do sistema político, que atinge o Legislativo e o Executivo. ''Me assaltou uma profunda decepção. Isto aqui está parecendo uma catarse, porque aqui são todos eleitores de Lula'', disse Freire. ''O PT não foi um fracasso, o PT é uma fraude.''
A deputada federal Denise Frossard (PPS-RJ), que também participa da CPI, criticou Jobim e disse que ele perdeu uma ''ótima chance de ficar calado''. Ela disse que semana que vem deve ser votado o pedido da convocação de José Dirceu na CPI. ''A sociedade não pode se desmobilizar, tem que continuar cobrando atitudes e principalmente transparência e clareza deste caso. Nunca vi um caso tão grave na história do Brasil''.
Mesmo sem unidade política, os partidos presentes ao ato divulgaram uma carta, em que dizem ser preciso ''lutar contra a política econômica e a corrupção que a sustenta''. Os partidos programam para o dia 17, em Brasília, um nova mobilização.

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