O corregedor da Polícia Civil, delegado Adauto Abreu de Oliveira, disse ontem que os delegados e investigadores da Polícia Civil que receberam dinheiro do HSBC vão ter o sigilo bancário quebrado e estão ameaçados de demissão. Ele não acredita na tese de que o dinheiro foi usado na compra de equipamentos para a Polícia Civil. ‘‘O delegado, pessoa física, está proibido de receber dinheiro. Isso é falta grave punida com demissão’’, declarou.
Sempre que uma empresa quer ajudar a polícia, segundo o corregedor, o benefício deve vir em forma de bens registrados em nome da delegacia ou da própria corporação. ‘‘Quando eu era o delegado-chefe da Dinarc (Divisão de Narcóticos), o próprio HSBC fez uma doação de 20 computadores para a delegacia’’, disse. Caso os delegados quisessem prestar serviços de ‘‘assessoria de segurança’’, como está registrado nos recibos emitidos pelo banco, eles deveriam ter feito isso de graça, segundo Oliveira. ‘‘Recebeu dinheiro é altamente suspeito.’’
‘‘O delegado pode fazer assessoria de segurança, mas desde que o serviço seja feito de graça, porque ele já recebe do Estado para fazer isso’’, acrescentou o corregedor. As cópias dos Recibos de Pagamento a Autônomos (RPAs) emitidos pelo HSBC aos delegados e investigadores são provas importantes para desvendar o esquema. ‘‘Tem delegado que recebeu mais de uma vez. Os RPAs são provas e todos serão formalmente indiciados e acusados em processos administrativos’’, disse o corregedor. (D.V.)

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