Sidney e Adalberto teriam ajudado a beneficiar boate
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quarta-feira, 02 de abril de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Em depoimento ao Ministério Público (MP) na última terça-feira, o proprietário da boate erótica Shirogohan, Claudemir Medeiros, disse que a articulação do projeto de lei que permitiu a instalação do Motel JF ao lado de seu empreendimento, no Parque das Indústrias Leves, foi feita pelo secretário municipal de Governo, Adalberto Pereira da Silva, e pelo presidente da Câmara Municipal, Sidney de Souza (PTB). Além disso, Medeiros afirmou que o envolvimento de Adalberto contou com a aquiescência do prefeito Nedson Micheleti e que Sidney de Souza é sócio do escritório de contabilidade que atende o Motel JF. Ele contou ainda que o delegado da Polícia Federal (PF), Sandro Roberto Viana dos Santos - seu amigo de adolescência - é que lhe apresentou ao secretário de Governo.
As informações foram confirmadas à FOLHA por pessoas citadas no interrogatório. A aprovação da lei 9.944, de 26/05/2006, foi necessária para abrir uma brecha legal que permitiu a transformação de um hotel em motel. Medeiros negou o oferecimento ou exigência de qualquer vantagem financeira para a aprovação da lei.
A operação está sob investigação do grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) desde que foi publicada na imprensa, na última segunda-feira, por suspeita de pagamento de propina. O Gaeco já juntou cópia integral da tramitação do projeto de lei ao procedimento investigatório.
As declarações de Medeiros ao MP indicam que ele fez uma exposição dos motivos sobre a necessidade da alteração legal durante um churrasco que ofereceu em sua chácara. Ele afirma que teriam participado do evento o prefeito Nedson Micheleti, o ex-secretário de Gestão Pública Jacks Dias, os vereadores Sidney de Souza, Gláudio Renato de Lima (PT), Flávio Vedoato (PSC), Osvaldo Bergamin (PMDB), o ex-vereador Henrique Barros e o delegado da PF, Sandro dos Santos. Segundo o depoente, o churrasco não contou com a participação de mulheres.
O secretário de Governo informou pela assessoria de imprensa que não vai se pronunciar sobre a tramitação do projeto de lei. O prefeito Nedson Micheleti não quis fazer novas declarações sobre o assunto. Vedoato negou ter participado de qualquer churrasco na chácara de Medeiros, mas admitiu que o conhece e que ''ouviu falar'' do evento.''Pode fazer um acareação minha com ele.''
O ex-secretário Municipal de Gestão Pública, Jacks Dias, o presidente da Câmara, Sidney de Souza, e os demais citados na reportagem não atenderam os telefonemas da FOLHA. (Colaborou Janaina Garcia)


