João Alfredo (PE) - ''Nosso Senhor'' para uns, ''caloteiro'' para outros, o novo presidente da Câmara Federal, Severino Cavalcanti (PP-PE), é acusado por desafetos e adversários políticos conterrâneos seus de ter emitido cheques sem fundo, de não pagar débitos realizados com cidadãos e comerciantes da sua cidade e de estar há oito anos sem pagar o IPTU da casa que possui no município. ''Se não pagar, neste ano o deputado será notificado judicialmente para quitar o débito'', afirmou ontem o presidente da Câmara Municipal de João Alfredo, José Martins (PFL).
''Ele não gosta de pagar IPTU nem a quem deve'', acrescentou ao citar a música de Bezerra da Silva que tocou em carro de som nas campanhas de 2000 (candidatura do filho José Maurício Cavalcanti), 2002 (reeleição a deputado federal) e 2004, quando José Maurício foi novamente derrotado para a prefeitura de João Alfredo. ''Ninguém sabe como é que ele faz para enganar todo mundo/Será que é otário, malandro demais ou então vagabundo? Só sei que o cara tem fama de rei, o rei do cheque sem fundo'', diz a letra da música, cantarolada pelo assessor de imprensa da prefeitura, José Farias, ao lado do gabinete da prefeita Maria Sebastiana da Conceição (PFL).
A prefeita afirmou que não irá participar de recepção ou festa para o novo presidente da Câmara Federal - ainda sem data definida - mas disse respeitar a manifestação que está sendo preparada. Sem entrar no mérito dos motivos que têm levado João Alfredo à mídia nacional, ela avaliou que ''de uma maneira geral, propaganda é bom''. Assegurou que desde 1997 João Alfredo não recebe benefício de programas federais ou estaduais, apesar da decantada influência política do deputado.
Comerciante de estivas, Manoel Severino de Moura, 74 anos, hoje aposentado, guarda há quase três anos um cheque sem fundos assinado pelo deputado federal Severino Cavalcanti no valor de R$ 15 mil. Datado de 31 de maio de 2002, o cheque do Banco do Brasil, agência 3596 (Câmara dos Deputados), número 000892-3, foi repassado em pagamento a compras realizadas a um fornecedor do comerciante, Edval Gomes do Rêgo. ''Antes perguntei ao deputado se podia repassar e ele respondeu afirmativamente''.
O cheque voltou nos dias 10 e 12 de junho de 2002. ''Tive que pagar os 15 mil e mais juros de R$ 550,00'', contou Moura, que havia recebido dois cheques no valor de R$ 15 mil como uma segurança de pagamento de um empréstimo feito ao deputado a pedido do seu filho, o então prefeito, Cavalcanti Júnior (morto em um acidente). O outro cheque foi devolvido ao outro filho do deputado, José Maurício Cavalcanti, que fez a negociação, depois do pagamento de R$ 17 mil em parcelas.
Ninguém da família de Severino Cavalcanti foi encontrada na cidade de João Alfredo para comentar o caso. O líder do PP na Câmara Municipal, vereador Wilson França, seu aliado, disse que o deputado, com que havia falado ao telefone, está ''com a consciência tranquila''.

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