Brasília - O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), afirmou ontem que não se considera responsável pelo fracasso da reforma ministerial e garantiu que não fará oposição ao governo, mesmo com o PP fora da equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ''Tá doido! Eu gosto é do governo'', disse. Severino negou que tivesse dado um ultimato a Lula, ao pressionar em favor da nomeação do deputado Ciro Nogueira (PP-PI) para o Ministério das Comunicações. ''Eu não exigi coisa nenhuma'', observou, acrescentando que não é ''tutelado por ninguém'' e que faria tudo de novo. ''O que eu faço e digo eu assumo a responsabilidade. Eu sou um homem responsável, disse aquilo e voltaria a afirmar tudo o que disse ontem (segunda-feira). Aqui não tem limitação e eu não aceito interferência de ninguém'', afirmou, no intervalo das sucessivas audiências concedidas em seu gabinete ao longo da tarde, depois de passar a manhã em reunião com governadores e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. ''O PP não vai para a oposição nenhuma, vamos dar sustentação ao governo'', disse.
Liderança - O novo líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), assumiu o cargo pregando mudança na relação do presidente da Casa, Severino Cavalcanti, com os partidos políticos e defendendo a recomposição da base do presidente Lula. Chinaglia terá a missão de aglutinar os partidos que sustentam o governo na Câmara depois de meses de desarticulação política em que o Palácio do Planalto tem sofrido derrotas na Casa. ''É público e notório que precisamos recompor a base'', afirmou Chinaglia.
O novo líder terá de conter a insatisfação do PP, que integra a base e que pela segunda vez não foi contemplado com um ministério. ''O PP está na base aliada. Tensionar faz parte de qualquer negociação'', afirmou Chinaglia.
Chinaglia é o quarto líder de Lula na Câmara. Ele substitui o deputado Professor Luizinho (PT-SP), que ficou no comando do cargo por cerca de um ano. Também foram líderes o atual ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e o deputado Miro Teixeira (PT-RJ), que assumiu o cargo depois de deixar o Ministério das Comunicações na reforma ministerial de Lula do ano passado.

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